Autorização com WIF

by Israel Aece 28. September 2010 07:52

Dentro do desenvolvimento de software, o termo autorização descreve o processo de verificar se um determinado usuário possui ou não o acesso à um determinado recurso. Mas é importante dizer que a autorização acontece depois da autenticação, pois primeiramente é necessário saber quem o usuário é, para depois saber que direitos ele tem no sistema.

Recentemente eu comentei em alguns artigos sobre a utilização de um sistema de identidade para autenticar os usuários. Uma das principais finalidades é a terceirização do processo de autenticação, delegando isso à uma outra aplicação/serviço, e assim, todas as aplicações que confiarem naquele autenticador (STS), poderão fazer uso do mesmo para autenticar seus respectivos usuários, ficando essas aplicações totalmente isentas em como isso deve acontecer.

Como comentando nos artigos acima, o WIF (Windows Identity Foundation) abstrai grande parte da complexidade para fazer isso tudo funcionar, mas a autorização ainda continua sendo uma responsabilidade da própria aplicação. A finalidade deste artigo é apresentar algumas alternativas para efetuar a autorização nas aplicações, utilizando as claims emitidas por um determinado autenticador para refinar o acesso.

Grande parte das aplicações fazem uso do modelo baseado em papéis (roles), onde concedem ou negam acesso à algum recurso da aplicação se o usuário está ou não contido em um grupo específico. Tecnicamente falando, sempre recorremos a utilização de alguma implementação da interface IPrincipal, que fornece um método chamado IsInRole, que dado o papel retorna um valor boleano indicando se o usuário corrente está ou não contido nele.

Como já comentei anteriormente, a autorização baseada em claims é muito mais flexível do que isso, ou seja, não estamos condicionados a somente trabalhar com papéis (simples strings), mas também avaliar se o usuário poderá ou não acessar um determinado recurso a partir da sua idade, ou somente se o seu cartão de crédito estiver válido, e assim por diante.

Uma das grandes preocupações que a Microsoft teve, foi em manter compatibilidade com o modelo de objetos que utilizamos desde a primeira versão do .NET Framework, mas conseguindo já tirar proveito deste novo modelo. E foi justamente pensando nisso, que ela criou as interfaces IClaimsIdentity e IClaimsPrincipal. Elas já foram comentadas com mais detalhes neste artigo, e somente para recapitular, uma das principais propriedades é a Claims, exposta pela interface IClaimsIdentity, que fornece o conjunto de claims que foram emitidas pelo autenticador para o usuário atual.

A propriedade RoleClaimType também foi criada com propósito de compatibilidade. Como todas as informações emitidas por um STS chegam para uma relying party através de claims, é necessário saber qual ou quais as claims representam os papéis (IPrincipal.IsInRole). Com isso, podemos continuar utilizando a autorização baseada em papéis, mas nos bastidores, são claims que estão sendo utilizadas. Com isso, por mais que começamos a utilizar as técnicas de autenticação através do WIF, a autorização pode continuar da forma que está, sem a necessidade de sofrer qualquer alteração.

Como sabemos, entre as claims que existem predefinidas nas especificações, ainda podemos criar claims customizadas. Isso quer dizer que um STS pode emitir uma claim sem vincular ela ao tipo role, que por padrão, a aplicação utiliza quando chamamos o método IsInRole. Mas felizmente isso pode ser configurado de forma declarativa, onde cada aplicação determina qual a claim que ela vai quer utilizar/avaliar quando o método IsInRole for chamado. Para efetuar essa customização, podemos recorrer ao sub-elemento roleClaimType do elemento samlSecurityTokenRequirement, assim como é mostrado abaixo:

<samlSecurityTokenRequirement>
  <roleClaimType value= "http://MinhaAplicacao/departamento" />
</samlSecurityTokenRequirement>

Como comentado acima, podemos continuar trabalhando com a segurança baseada em papéis. E para isso, utilizamos o método IsInRole exposto pela interface IPrincipal ou através da classe PrincipalPermission, ou ainda, do atributo PrincipalPermissionAttribute, que nos permite trabalhar de forma imperativa ou declarativa, respectivamente. Todas deverão recorrer as claims do tipo role (http://schemas.microsoft.com/ws/2008/06/identity/claims/role) ou alguma outra, conforme configuramos acima. Mas o WIF também fornece um novo par de classes para trabalhar explicitamente com claims, a saber: ClaimsPrincipalPermission e ClaimsPrincipalPermissionAttribute. Ambas também servem para utilizar de forma imperativa ou declarativa, respectivamente, mas como já podemos perceber, vai além de somente utilizar claims como roles. Podemos aqui utilizar outras claims que foram emitidas pelo STS, e tornar o processo de autorização muito mais inteligente.

Como comentado, o uso pode ser de forma imperativa ou declarativa. Utilizar um modo ou outro tem suas vantagens e desvantagens. De qualquer forma, a utilização é extremamente fácil, pois é semelhante ao modelo que já estamos acostumados a trabalhar dentro da plataforma .NET. Para exemplificar, o exemplo abaixo mostra a utilização de ambas as formas:

[ Modelo Imperativo ]

public string AlgumaOperacao()
{
    new ClaimsPrincipalPermission("AlgumaOperacao", "Executar").Demand();

    //Processamento do Método
}

[ Modelo Declarativo ]

[ClaimsPrincipalPermission(SecurityAction.Demand, Resource = "AlgumaOperacao", Action = "Executar")]
public string AlgumaOperacao()
{
    //Processamento do Método
}

Apesar de aparentemente funcionar como o modelo baseado em papéis, o WIF nos induz a não fixar o valor das claims pelo nosso código, que é algo que mais cedo ou mais tarde sempre acaba mudando, e justamente por isso que temos as propriedades Resource e Action, mas não devemos nos preocupar com o que significado delas agora, pois o seu uso está condicionado ao ambiente em que são utilizadas, e que serão detalhados mais abaixo. Um detalhe importante também é que as duas classes que representam a permissão não são responsáveis por efetivamente validar se o usuário poderá ou não acessar aquele recurso; isso é delegado à uma outra classe, chamada ClaimsAuthorizationManager, qual veremos a seguir.

O processo de autorização é altamente customizável, o que nos permite interceptar o momento em que o runtime avalia se o usuário possui ou não permissão, e com isso alterar o comportamento padrão, nos baseando em outras claims que foram emitidas para tomar a decisão se o usuário deverá ou não acessar o recurso.

Independentemente de qual ambiente estamos falando (ativo ou passivo), as classes que lidam com o processo de autorização são as mesmas. A diferença consiste nas informações que são colocadas dentro dessas classes, pois elas são contextualizadas, condicionados ao ambiente. A principal classe que irá gerenciar isso é a ClaimsAuthorizationManager, que fornece um local central para analisarmos a requisição e determinar se o usuário poderá ou não acessar o recurso. Essa classe possui um único método chamado CheckAccess, que é disparado antes de acessar o recurso em si, e dado o contexto da requisição, retorna um valor boleano indicando se o usuário terá acesso ao mesmo, e que por padrão sempre permite o acesso.

Como dito acima, o método CheckAccess recebe o contexto da requisição como parâmetro, fornecendo todas as informações necessárias para a tomada de decisão. Esse parâmetro é do tipo AuthorizationContext, e possui três principais propriedades: Principal, Resource e Action. A primeira propriedade retorna uma instância da classe ClaimsPrincipal, que representa o usuário atual. Já a propriedade Resource determina o recurso que você está tentando acessar, e isso varia de acordo com o ambiente. Finalmente, a propriedade Action determina a operação que está sendo aplicada ao recurso, e assim como a propriedade Resource, também varia de acordo com o ambiente.

Quando implementamos a classe ClaimsAuthorizationManager para o ambiente passivo, a propriedade Resource trará o caminho e nome da página ASPX que estamos tentando acessar e a Action deve retornar se está sendo acessada via GET ou via POST. Já no ambiente ativo, a propriedade Resource deverá representar o endereço do serviço que está sendo acessado, enquanto a propriedade Action deverá refletir a SOAPAction da operação. A propriedade Principal tem o mesmo significado para ambos ambientes, ou seja, representar o usuário que está tentando acessar o recurso. Como há algumas outras diferenças entre os dois ambientes, vamos analisar a sua implementação individualmente a partir de agora.

Autorização no Ambiente Passivo - ASP.NET

A implementação da classe ClaimsAuthorizationManager para o ambiente passivo, consistirá em avaliar se a página (ASPX) que o usuário está acessado poderá ou não ser acessado, de acordo com uma regra determinada. Cada página que for acessada por aquele usuário, o runtime do WIF em conjunto com o ASP.NET invocará o método CheckAccess, que é onde terá toda a lógica de autorização.

Como exemplo, vamos somente permitir o acesso à uma determinada página se o usuário for maior que 21 anos de idade. Como o STS emite uma claim chamada dataDeNascimento, podemos efetuar o cálculo em cima dela, para avaliar se o usuário poderá ou não acessar a página. Abaixo temos a implementação:

public class AutorizadorDePaginas : ClaimsAuthorizationManager
{
    public override bool CheckAccess(AuthorizationContext context)
    {
        if (context.Resource.First().Value == "http://localhost:2721/PaginaRestrita.aspx")
        {
            var claimDeDataDeNascimento =
                (
                    from in context.Principal.Identities[0].Claims
                    where c.ClaimType == "http://MinhaAplicacao/dataDeNascimento"
                    select c
                ).FirstOrDefault();

            if (claimDeDataDeNascimento != null)
            {
                DateTime dataDeNascimento = Convert.ToDateTime(claimDeDataDeNascimento.Value);
                return (DateTime.Now.Subtract(dataDeNascimento).Days / 365) >= 21;
            }

            return false;
        }

        return true;
    }
}

Em primeiro lugar verificamos se a página que está sendo acessada deve ser verificada quanto a permissão. Como sabemos que devemos filtrar o acesso a partir da idade, então vamos em busca de uma claim que represente a data de nascimento do usuário, e se encontrada, verificamos se ele já possui mais que 21 anos. Se ele tiver, então ele pode acessar, do contrário, terá o acessado negado.

Mas essa implementação por si só não funciona. Temos que saber como acoplá-la ao pipeline de processamento do ASP.NET. Na verdade, o responsável por invocar o método CheckAccess será o módulo ClaimsAuthorizationModule, que por padrão, não está configurado. Esse módulo se vincula ao evento AuthorizeRequest do objeto HttpApplication, e quando é disparado, irá extrair o autorizador configurado na seção do WIF e, consequentemente, irá passar a instância da classe AuthorizationContext, onde o Resource representará o caminho até a página ASPX e a Action deve representar o verbo HTTP (GET ou POST). Abaixo temos a configuração no arquivo Web.config que correspondem ao módulo e ao autorizador:

<system.web>
  <!-- Outras Configurações -->
  <httpModules>
    <!-- Outros Módulos -->
    <add name="ClaimsAuthorizationModule"
         type="Microsoft.IdentityModel.Web.ClaimsAuthorizationModule, Microsoft.IdentityModel, ..."/>
  </httpModules>
</system.web>
<microsoft.identityModel>
  <service>
    <!-- Outras Configurações -->
    <claimsAuthorizationManager
        type="Servico.AutorizadorDePaginas, Servico, Version=1.0.0.0, ..."/>
  </service>
</microsoft.identityModel>

Autorização no Ambiente Ativo - WCF

Já no WCF vamos trabalhar de forma parecida ao que vimos acima, ao que diz respeito a forma de implementar a classe responsável pela autorização do usuário. As ligeiras diferenças estão nas informações que são colocadas na classe AuthorizationContext e como ela é acoplada à execução.

Neste ambiente, a propriedade Resource representará o serviço que está sendo acessado, mais precisamente, o endereço do mesmo. Já a propriedade Action determinará a SOAPAction que o usuário quer invocar. A SOAPAction é um header que é incluído na requisição HTTP, e determina intenção da requisição SOAP. Esse header é representado por uma URI que não aponta necessariamente para um local válido na internet, e que indicará qual o método a ser invocado.

A ideia aqui é justamente analisar a SOAPAction, verificando se trata-se de uma operação que exige a validação da permissão do usuário. Caso seja, então vamos verificar se ele possui a idade suficiente para acessar a operação em questão. Abaixo temos a implementação, bem próxima a qual fizemos no ambiente passivo:

public class AutorizadorDeOperacoes : ClaimsAuthorizationManager
{
    public override bool CheckAccess(AuthorizationContext context)
    {
        if (context.Action.First().Value == "http://tempuri.org/IConsultasFinanceiras/RecuperarLimiteDeCredito")
        {
            var claimDeDataDeNascimento =
                (
                    from c in context.Principal.Identities[0].Claims
                    where c.ClaimType == "http://MinhaAplicacao/dataDeNascimento"
                    select c
                ).FirstOrDefault();

            if (claimDeDataDeNascimento != null)
            {
                DateTime dataDeNascimento = Convert.ToDateTime(claimDeDataDeNascimento.Value);
                return (DateTime.Now.Subtract(dataDeNascimento).Days / 365) >= 21;
            }

            return false;
        }

        return true;
    }
}

A principal diferença aqui é como o WIF acopla isso à execução no WCF, que deve executá-la sempre quando uma nova requisição chegar ao serviço. Para que o serviço faça uso do WIF, é necessário submetermos a instância da classe ServiceHost para o método estático ConfigureServiceHost da classe FederatedServiceCredentials, assim como já foi mostrado neste artigo. Assim como no ASP.NET, o que o WIF faz aqui é utilizar um ponto de estensibilidade do WCF para adicionar a implementação do ClaimsAuthorizationManager, e para isso, o WIF já possui implementado uma classe que deriva de ServiceAuthorizationManager, que é a IdentityModelServiceAuthorizationManager, e em seu método CheckAccessCore captura o autorizador implementado/configurado pelo WIF e invoca o seu método CheckAccess, abastecendo a instância da classe AuthorizationContext com informações que estão dentro do contexto da operação (OperationContext).

Sendo assim, tudo o que precisamos aqui é configurar o autorizador customizado, para que o runtime do WIF possa capturá-lo e, consequentemente, entregar ao WCF para efetuar a validação. O código abaixo ilustra essa configuração, que é realizada da mesma forma que no ambiente passivo:

<microsoft.identityModel>
  <service>
    <!-- Outras Configurações -->
    <claimsAuthorizationManager
        type="Servico.AutorizadorDeOperacoes, Servico, Version=1.0.0.0, ..."/>
  </service>
</microsoft.identityModel>

Claims Explícitas

Para ratificar o que disse acima, em ambos cenários não temos as claims espalhadas pela aplicação. Como isso pode mudar, o ideal é manter centralizado, para facilitar a alteração caso ela seja necessária.

O mesmo vale para as classes que falamos acima: ClaimsPrincipalPermission e ClaimsPrincipalPermissionAttribute. Quando as utilizamos, nós vimos que tudo o que precisamos colocar ali é o Resource e Action, que determinam informações sobre o acesso e não sobre a claim que deve ser utilizada/avaliada.

Essas classes não são responsáveis por fazerem a verificação. Intermamente elas recorrem a implementação da classe ClaimsAuthorizationManager, que deve estar configurada da forma que vimos acima. Caso não tenhamos um autorizador explicitamente definido, o WIF utilizará uma implementação padrão, que sempre concederá o acesso. O mais interessante aqui é que as informações que colocamos nestas classes também são enviadas para a classe que herda de ClaimsAuthorizationManager, pois elas invocam o método CheckAccess, abstecendo o AuthorizationContext com as respectivos informações.

Nativamente o WIF não traz suporte para vinculação de claims à um determinado recurso, mas podemos criar algo customizado para isso. A ideia é ter algum repositório para catalogar as políticas de acesso à determinados recursos, por exemplo, para acessar uma determinada página ASPX ou uma operação de um serviço, precisamos verificar se a quantidade de anos da claim dataDeNascimento é maior que 21. Esse repositório pode ser um arquivo Xml, uma base de dados ou até mesmo o próprio arquivo de configuração (*.config). Criando algo customizado, nos permite tornar a implementação do ClaimsAuthorizationManager mais simples, dinâmica e ainda mantendo a centralização.

Conclusão: Vimos neste artigo o processo de autorização de uma aplicação que opta por fazer o uso do WIF para terceirizar a autenticação do usuário. Apesar de autorização ainda ser responsabilidade da relying party, o WIF se preocupou em fornecer classes para tornar esse processo mais suave, e não menos importante, mantendo compatibilidade com o legado, que são aplicações que se baseiam em papéis para refinar o acesso aos seus respectivos recursos.

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Inspetor de mensagens para o WIF

by Israel Aece 20. September 2010 15:59

Recentemente o Dominick Baier lançou um inspetor de requisições para o Fiddler, que tem a finalidade de mostrar as mensagens geradas pelo WIF de uma forma mais amigável. Abaixo podemos visualizar a inspetor já instalado e em funcionamento. Note que podemos visualizar as claims que foram emitidas pelo STS, facilitando eventuais depurações que talvez serão necessárias durante a utilização do WIF.

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WIF

Efetuando chamadas entre domínios

by Israel Aece 20. September 2010 14:39

Muitas vezes construímos serviços para que sejam consumidos por aplicações que estão hospedadas no mesmo local. Um exemplo é quando criamos esses serviços para expor alguma funcionalidade, e que sejam consumidos através do jQuery ou do Silverlight. Ambas tecnologias possuem bibliotecas que facilitam a comunicação com este tipo de serviço.

Mas isso tudo funciona muito bem enquanto os serviços que são acessados estão dentro do mesmo domínio. Se desejar consumir serviços que estão além do domínio de onde a aplicação está hospedada, teremos que recorrer a técnicas diferentes, dependendo da tecnologia que estamos utilizando. A finalidade do artigo é mostrar como devemos proceder para permitir o consumo em cada uma delas.

jQuery

Como sabemos, o jQuery é uma biblioteca que facilita várias tarefas em JavaScript, abstraindo grande parte da complexidade que teríamos se fossemos utilizar uma funcionalidade diretamente. Uma dessas abstrações é o consumo de serviços, como já detalhei neste outro artigo.

O consumo de serviços funciona bem desde que ele esteja debaixo do mesmo domínio da aplicação Web, que é aquela que consome o serviço. Se ele estiver além, então precisamos de alguma técnica para possibilitar que essa tarefa seja realizada. Uma opção seria a criação de um serviço nesta aplicação cliente, que serviria como um wrapper, e este por sua vez, consumiria diretamente o serviço, sem as imposições de chamada entre domínios que o navegador impõe. Com isso, o código JavaScript irá consumir este serviço local, que por sua vez, encaminharia a requisição para o serviço remoto.

Apesar desta técnica funcionar, ela acaba sendo uma solução ruim, já que teremos que envolver outros elementos para realizar uma tarefa relativamente simples. Felizmente o jQuery fornece nativamente o suporte a uma técnica conhecida como JSONP (JSON with Padding).

O seu funcionamento não é muito complicado. Como disse acima, requisições entre domínios não são permitidas, mas há uma única exceção: a tag <script>, ou seja, podemos definir no elemento src (source) a URL para um recurso que está além do nosso domínio, que o navegador não irá proibir o acesso. O que o JSONP faz é justamente o uso dela, criando dinamicamente esta tag, e definindo no atributo src a URL do serviço que estamos tentando acessar.

Na verdade isso não funciona sozinho, ou seja, precisa de uma certa colaboração por parte do serviço, para que o cliente possa processar o resultado da forma correta. Além dos parâmetros que são exigidos pelo método do serviço, o jQuery inclui um parâmetro chamado callback, que é o nome de uma função criada temporariamente no cliente. Aqui entra em cena a infraestrutura do serviço, que deve ser capaz de retornar o resultado (dados) envolvido nesta função, e quando o mesmo chegar ao cliente, ele invocará para capturar o resultado e encaminhá-lo para o nosso código, e assim iremos manipular da forma que acharmos mais conveniente.

Para fazer tudo isso funcionar, precisamos nos atentar à alguns detalhes do lado do cliente e do lado do serviço. Do lado do cliente, tudo o que precisamos fazer é indicar para a API de AJAX do jQuery que ela deve utilizar JSONP. Para isso, devemos recorrer ao atributo dataType, que indica o tipo de dado/formato que você está esperando que o servidor te retorne. No nosso caso, vamos apontar jsonp, assim como é mostrado no código abaixo:

<script language="javascript" type="text/javascript">
    function Recuperar() {
        $.ajax(
            {
                type: "GET",
                url: "http://localhost:1446/ServicoDeUsuarios.svc/Recuperar",
                data: "nome=Israel",
                dataType: "jsonp",
                contentType: "application/json",
                success:
                    function (usuario) {
                        alert(usuario.Nome);
                    }
            }
        );
    }
</script>

Como já sabemos, o serviço também precisa colaborar com isso. Para que ele consiga gerar o resultado da forma que esperamos, precisamos efetuar uma configuração no binding. Para expor um serviço para clientes AJAX, o WCF fornece um binding chamado WebHttpBinding e, consequentemente, é ele mesmo que expõe uma propriedade chamada CrossDomainScriptAccessEnabled, que recebe um valor boleano indicando se o serviço poderá ou não ser invocado através de outros domínios. Quando definido como True (o padrão é False), ele retornará o resultado da forma que o JSONP espera, e com isso, a chamada será efetuada com sucesso. O código abaixo ilustra a configuração de um serviço que poderá ser invocado através de outros domínios:

<?xml version="1.0"?>
<configuration>
  <system.web>
    <compilation debug="true"
                 targetFramework="4.0" />
  </system.web>
  <system.serviceModel>
    <services>
      <service name="Servico.ServicoDeUsuarios">
        <endpoint address=""
                  binding="webHttpBinding"
                  bindingConfiguration="bindingConfig"
                  contract="Servico.IContratoDeUsuarios" />
      </service>
    </services>
    <bindings>
      <webHttpBinding>
        <binding name="bindingConfig"
                 crossDomainScriptAccessEnabled="true" />
      </webHttpBinding>
    </bindings>
  </system.serviceModel>
</configuration>

Se monitoramos as requisições através de uma ferramenta como o Fiddler, podemos reparar o que acontece nos bastidores. Abaixo temos a requisição e a sua respectiva resposta, com alguns headers omitidos para tornar a leitura mais simples. Note que o fato de definirmos o atributo dataType como jsonp fez com que um parâmetro chamado callback fosse atribuído à coleção de querystrings da requisição. Em seguida, no corpo da resposta temos os dados gerados do lado do servidor envolvidos na função que foi gerada do lado do cliente.

[ Requisição ]
GET http://127.0.0.1:1446/ServicoDeUsuarios.svc/Recuperar?callback=jsonp1284996021792&nome=Israel HTTP/1.1
Accept: */*
Host: 127.0.0.1:1446
Connection: Keep-Alive

[ Resposta ]
HTTP/1.1 200 OK
Date: Mon, 20 Sep 2010 15:20:24 GMT
Content-Length: 51
Content-Type: application/x-javascript
Connection: Close

jsonp1284996021792({"Codigo":123,"Nome":"Israel"});

Silverlight

Serviços que são consumidos por clientes Silverlight também sofrem o mesmo problema quando precisam consumir serviços que estão além de seu domínio de origem. Como sabemos, uma aplicação Silverlight não funciona sozinha, ou seja, ela é sempre hospedada em uma aplicação Web normal, e consumir serviços que estão debaixo dessa aplicação, não haverá qualquer problema e nenhuma tarefa extra precisa ser realizada, já que esse tipo de comunicação é permitida.

Mas ao tentar consumir um serviço que está fora do domínio de origem da aplicação, então receberemos uma exceção do tipo CommunicationException, indicando que a chamada entre domínios não é permitida.

Para resolver este problema, temos que colocar um arquivo Xml no mesmo local onde o serviço encontra-se hospedado (no servidor remoto), indicando que este serviço poderá ser consumido pelo cliente A, B ou C, ou se desejar, por qualquer aplicação. O Silverlight pode trabalhar com dois tipos de arquivos: ClientAccessPolicy.xml ou CrossDomain.xml. O primeiro arquivo foi desenvolvido pela própria Microsoft, enquanto o segundo já é utilizado por aplicações Flash, e para reutilizar, a Microsoft também incorporou no Silverlight a capacidade de utilizar este mesmo arquivo, sem a necessidade de criar um segundo só para atender as requisições a partir de clientes Silverlight.

Quando a aplicação Silverlight for efetuar a requisição para um serviço, ela primeiramente tenta fazer o download do arquivo ClientAccessPolicy.xml no mesmo domínio do serviço; caso não encontre, então ela tentará efetuar o download do arquivo CrossDomain.xml, e se mesmo assim não encontrá-lo, então a exceção mencionada acima será disparada. Ao encontrar um destes dois arquivos, o Silverlight analisará se no seu conteúdo, existe uma entrada dizendo que o serviço pode ser consumido pela aplicação cliente em questão, e se puder, efetuará a chamada para o serviço.

Abaixo existe a estrutura do arquivo ClientAccessPolicy.xml, já configurado para permitir que somente uma determinada aplicação possa consumí-lo. E você pode elencar ali quantas aplicações quiser, e se desejar, pode colocar apenas uma única entrada, definindo o atributo uri como *, que determina que toda e qualquer aplicação poderá consumir os serviços que rodam naquele local.

<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<access-policy>
  <cross-domain-access>
    <policy>
      <allow-from http-request-headers="*">
        <!--
            Habilitar para todos os clientes
            <domain uri="*"/>
        -->
        <domain uri="http://localhost:2611/" />
      </allow-from>
      <grant-to>
        <resource path="/"
                  include-subpaths="true"/>
      </grant-to>
    </policy>
  </cross-domain-access>
</access-policy>

Com tudo isso configurado, podemos ver na imagem abaixo a requisição procurando pelo arquivo acima, e depois de encontrado e analisado, procede para a chamada efetiva para o respectivo serviço:

Conclusão: Vimos no decorrer deste artigo as possibilidades que temos para permitir que um serviço WCF possa ser consumido através de domínios diferentes, algo que é cada vez mais comum em um mundo cada dia mais conectado.

ChamadasEntreDominios.zip (213.04 kb)

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WCF

Recursos das Palestras do TechEd Brasil 2010

by Israel Aece 17. September 2010 22:03

Conforme havia comentado aqui, efetuei duas palestras no TechEd Brasil 2010, onde a primeira foi para falar sobre serviços REST no WCF, e a segunda sobre WIF.

Gostaria de agradecer a todos os presentes, e é importante dizer que qualquer dúvida, crítica ou sugestão é sempre bem-vinda. Obrigado também ao Rodolfo Roim, Rogerio Cordeiro, João Paulo Clementi, Fabio Hara, Renato Haddad e ao Waldemir Cambiucci, que me ajudaram direta ou indiretamente para que essas palestras fossem realizadas.

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WCF | WIF

Substituindo ASMX por WCF no servidor

by Israel Aece 3. September 2010 10:22

Os ASP.NET Web Services (ASMX) são baseados na especificação WS-I Basic Profile, gerando as mensagens na versão 1.1 do SOAP. Eles foram que foram introduzidos desde a primeira versão do .NET Framework, e mais recentemente foram substituídos pelo WCF.

Para manter a interoperabilidade, a Microsoft criou um binding chamado BasicHttpBinding, que possui as mesmas características dos serviços ASMX. Com isso, podemos substituir tanto o serviço quanto o cliente utilizando a API do WCF. Ao optar pela substituição do lado do serviço, precisamos nos preocupar com a SOAPAction.

A SOAPAction é um header que é incluído na requisição HTTP, e determina intenção da requisição SOAP. Esse header é representado por uma URI que não aponta necessariamente para um local válido na internet. O problema reside justamente aqui. Imagine que temos um serviço (ASMX), que disponibiliza apenas uma única operação:

[WebService(Namespace = "http://tempuri.org/")]
[WebServiceBinding(ConformsTo = WsiProfiles.BasicProfile1_1)]
public class Servico : System.Web.Services.WebService
{
    [WebMethod]
    public string Ping()
    {
        return "ping!";
    }
}

Os clientes que o consomem devem enviar as requisições da seguinte forma:

POST /Servico.asmx HTTP/1.1
User-Agent: Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 6.0; MS Web Services Client Protocol 2.0.50727.4952)
Content-Type: text/xml; charset=utf-8
SOAPAction: "http://tempuri.org/Ping"
Host: 127.0.0.1:51982
Content-Length: 288
Expect: 100-continue
Connection: Keep-Alive

<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
    <soap:Envelope ...>
        <soap:Body>
            <Ping xmlns="http://tempuri.org/" />
        </soap:Body>
</soap:Envelope>

Agora queremos substituir o serviço para o WCF. Optamos então por criar o contrato e, consequentemente, o implementamos em uma classe que representará o serviço. A interface do contrato está definida abaixo:

[ServiceContract]
public interface IContrato
{
    [OperationContract]
    string Ping();
}

O ponto mais importante é expor o serviço através do binding BasicHttpBinding, que não será abordado aqui. Se analisarmos o WSDL gerado pelo serviço, veremos que a SOAPAction gerada é: http://tempuri.org/IContrato/Ping. Como podemos perceber, ela leva o nome do contrato. Com isso, os clientes existentes não conseguirão mais enviar mais mensagens para o serviço, já que o WCF utiliza a SOAPAction para identificar a operação a ser disparada, e como ela é diferente, não a encontrará. Abaixo temos a descrição do erro que ocorre:

Unhandled Exception: System.Web.Services.Protocols.SoapHeaderException: The message with Action 'http://tempuri.org/Ping' cannot be processed at the receiver, due to a ContractFilter mismatch at the EndpointDispatcher. This may be because of either a contract mismatch (mismatched Actions between sender and receiver) or a binding/security mismatch between the sender and the receiver.  Check that sender and receiver have the same contract and the same binding (including security requirements, e.g. Message, Transport, None).

Para resolvermos este problema, temos que recorrer a propriedade Action que é definida no atributo OperationContractAttribute, e lá colocarmos a mesma SOAPAction que os clientes estão enviando, mantendo assim a compatibilidade e não sendo necessária qualquer mudança por parte daqueles que o consomem.

[ServiceContract]
public interface IContrato
{
    [OperationContract(Action = "http://tempuri.org/Ping")]
    string Ping();
}

Tomando este cuidado, podemos tranquilamente substituir serviços construídos em ASMX para WCF, sem afetar qualquer cliente que já consuma o mesmo. É importante dizer também que é possível consumir um serviço escrito em ASMX através da API do WCF do lado cliente, mas isso está fora do escopo deste artigo. E para finalizar, sempre se atente aos namespaces.

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Interoperabilidade | WCF

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Meu nome é Israel Aece e sou especialista em tecnologias de desenvolvimento Microsoft, atuando como desenvolvedor de aplicações para o mercado financeiro utilizando a plataforma .NET. [ Mais ]

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