MultiMethods

by Israel Aece 1. May 2009 20:03

É muito comum criarmos métodos em nossas classes que possuam “versões” diferentes. Por “versão”, entenda como overload ou sobrecarga do método. Isso quer dizer que podemos ter um método com o mesmo nome, mas que possuem quantidade ou tipos diferentes.

Em linguagens como o C# e o VB.NET, a resolução de qual dos overloads será invocado é feita em tempo de compilação, baseando no tipo que está sendo passado para o método, o compilador determinará qual das versões invocar. Suponhamos que temos a seguinte estrutura de classes:

public class Pessoa
{
    public string Nome;
}

public class PessoaJuridica : Pessoa
{
    public string CNPJ;
}

public class PessoaFisica : Pessoa
{
    public string CPF;
}

Agora, temos uma classe que tem a finalidade de gerenciar instâncias da classe Pessoa. Essa classe possui dois overloads, onde cada um deles espera uma instância concreta da classe Pessoa:

public class GestorDePessoas
{
    public void AdicionarPessoa(PessoaFisica pf)
    {
        Console.WriteLine("PF");
    }

    public void AdicionarPessoa(PessoaJuridica pj)
    {
        Console.WriteLine("PJ");
    }
}

Nossa aplicação trabalhará de forma independente de qual tipo de Pessoa esteja utilizando. Haverá um método chamado ConstruirPessoa que, dado o nome e o número do documento, retornará uma instância da classe PessoaFisica ou PessoaJuridica que, no nosso caso, deveremos passá-la para a classe GestorDePessoas. Se traduzirmos este parágrafo para código, então teríamos algo como:

Pessoa p = ConstruirPessoa(“Israel Aece”, “123456789”);
GestorDePessoas gp = new GestorDePessoas();
gp.AdicionarPessoa(p);

Se tentarmos compilar, receberemos um erro avisando que não foi possível encontrar um método com essa assinatura. As duas versões do método AdicionarPessoa esperam instâncias das classes concretas (PessoaFisica e PessoaJuridica). Mesmo que “p” armazene internamente a instância de uma classe concreta, ele não conseguirá determinar qual dos métodos invocar, pois somente saberemos o que “p” representa durante a execução da aplicação.

MultiMethods é um conceito que existe para escolher qual dos métodos invocar em tempo de execução, ao contrário do que acontece com o overloading, que fará essa escolha estaticamente, ainda em tempo de compilação. Há várias implementações de MultiMethods para .NET, e uma delas é o MultiMethods.NET. Com essa library, podemos criar apenas uma versão pública do método, que por sua vez, receberá a versão mais básica do tipo, que no nosso caso é a classe Pessoa. Internamente, a library determinará qual dos overloads invocar de acordo com o tipo que está sendo passado. O código abaixo ilustra a classe GestorDePessoas ligeiramente alterada, utilizando a library em questão:

public class GestorDePessoas
{
    private MultiMethod.Action<Pessoa> _adicionar;

    public GestorDePessoas()
    {
        this._adicionar = Dispatcher.Action<Pessoa>(this.AdicionarPessoa);
    }

    public void AdicionarPessoa(Pessoa p)
    {
        this._adicionar(p);
    }

    protected virtual void AdicionarPessoa(PessoaFisica pf)
    {
        Console.WriteLine("PF");
    }

    protected virtual void AdicionarPessoa(PessoaJuridica pj)
    {
        Console.WriteLine("PJ");
    }
}

O código de consumo desta classe que antes não funcionava, passa a funcionar, e em tempo de execução, o método AdicionarPessoa será invocado de acordo com o tipo retornado pelo método ConstruirPessoa. Publicamente temos apenas o método AdicionarPessoa que aceita o tipo base, e dentro dele, utiliza o delegate fornecido pela library para efetuar a escolha do método.

É importante dizer que estas libraries de MultiMethods recorrem a Reflection para efetuar todo o trabalho, e como sabemos, isso possui um overhead extra. Se de um lado ganhamos em flexibilidade, do outro perdemos em performance. Já com o .NET 4.0, o “tipo” dynamic evitará o uso dos MultiMethods. Esta palavra chave informará ao compilador que o método somente deverá ser conhecido em tempo de compilação, também se baseando nos tipos que forem passados à ele.

Ao contrário de grande parte dos tipos do .NET, a keyword dynamic não esta mapeada para algo como System.Dynamic; ao detectar uma variável definida com esta keyword, o compilador efetivamente criará uma variável do tipo System.Object mas, internamente, deverá recorrer à alguma API de DLR para invocar o membro, que talvez possa ser mais performático que Reflection.

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C# | VB.NET

Por dentro da Base Classe Library (BCL)

by Israel Aece 23. February 2008 15:21

Bem, a idéia era criar um livro, mas por questões de tempo não consegui dar a atenção merecida ao mesmo. Como recentemente saiu a versão 3.X do .NET Framework, eu acredito que não seria estratégico para alguma editora publicar algo em versão 2.0 se já estamos na versão 3.5. Sim, nós sabemos que o 2.0 é o núcleo, mas...

Sendo assim, eu decidi publicar os capítulos de forma gratuíta no meu site. Como não tive tempo nem ninguém para fazer a correção do conteúdo, peço desculpas antecipadamente e desejo que sejam toleráveis com relação a possíveis erros de portugues (concordancia, acentuação, etc.), e também a possíveis erros técnicos. Além disso, também havia alguns namespaces que estavam no escopo para falar, mas que não consegui, como é o caso do System.Transactions e o System.Threading. Talvez em uma próxima oportunidade. Todos exemplos estão em Visual Basic .NET e Visual C#.

Voce pode acessar o índice através deste endereço. ATENÇÃO: Os arquivos estão em formato XPS. Caso não tenha o visualizador, você poderá baxiá-lo através deste link.

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.NET Framework

Por dentro da Base Class Library

by Israel Aece 23. February 2008 01:00

A Base Classe Library (também conhecida como BCL) é um conjunto de classes que o .NET disponibiliza para todas as linguagens que rodam sob o .NET Framework. Essa base encapsula várias funcionalidades que tornam o trabalho dos desenvolvedores muito mais fácil. As classes contidas dentro da BCL é comum para qualquer tipo de aplicação, ou seja, independentemente de tecnologia (ASP.NET, Windows Forns, WPF, etc.), você poderá consumir essas classes que, representam tarefas que são comumente utilizadas. A imagem abaixo exibe onde a BCL está encaixada dentro da plataforma .NET.

Figura 1 - Base Class Library (BCL).

A versão 2.0 adicionou novas tipos e namespaces, enriquecendo ainda mais esta estrutura. Essas classes vão desde novas coleções (tipadas) até novos namespaces, como é o caso do System.Transactions. Apesar do .NET Framework estar em sua versão 3.5, ele utiliza o .NET 2.0 como seu núcleo. A figura abaixo ilustra perfeitamente a posição do .NET 2.0 dentro do .NET 3.X.

Figura 2 - Gráfico que exibe a posição do .NET 2.0.


A BCL é composta por vários namespaces e, através dos capítulos abaixo, veremos detalhadamente cada um dos principais deles. A idéia é abordar o conteúdo mais útil ao dia-à-dia, mostrando exemplos em Visual Basic .NET e Visual C#. Sendo assim, nem todas as classes/funcionalidades serão cobertas aqui mas, para isso, poderá recorrer ao MSDN Library.

ATENÇÃO: Os arquivos estão em formato XPS. Caso não tenha o visualizador, você poderá baixá-lo aqui.

Conteúdo

  • Capítulo 1 – Tipos de dados e Interfaces Este capítulo abordará a arquitetura de tipos fornecido pelo .NET Framework, onde na primeira parte do capítulo, será abordado os tipos padrões padrões e veremos como identificar se trata-se de um tipo valor ou referência. Além disso, analisaremos um problema grave, deixado de lado por muitos desenvolvedores, que é a questão do boxing e unboxing. Ainda nessa primeira parte, analisaremos alguns novos tipos introduzidos nesta versão do .NET Framework, em principal, os Generics. Na segunda e última parte do mesmo, vamos abordar as várias Interfaces que estão disponíveis para serem implementados em tipos customizados, fornecendo funcionalidades adicionais ao tipo criado.

  • Capítulo 2 – Trabalhando com Coleções As coleções são componentes importantes em qualquer tipo de aplicação e, para isso, esse capítulo abordará extensamente o uso das mesmas, começando pelas coleções primárias, fornecidas desde as primeiras versões do .NET Framework até as novas coleções, introduzidas na versão 2.0 do .NET Framework, quais fazem uso dos Generics. Além das coleções, analisaremos as Interfaces disponíveis para podermos estender as funcionalidades existentes e customizarmos para o nosso cenário.
  • Capítulo 3 – Utilização de Assemblies Um Assembly é a menor unidade de reutilização, segurança e controle de versão. O Assembly é algo importante que deve ser analisado cuidadosamente, pois toda aplicação .NET depois de compilada gerará um Assembly. Este capítulo abordará a sua criação desde um utilitário de linha de comando até o Visual Studio .NET. Além disso, abordaremos também outros assuntos relacionados a Assemblies, como por exemplo, strong names, GAC (Global Assembly Cache), instaladores e arquivos de configuração.
  • Capítulo 4 – Monitoramento e depuração de aplicações Toda e qualquer aplicação necessita de algum tipo de monitoramento de seu código para detectar possíveis problemas que possam acontecer e que devem ser analisados. O .NET Framework fornece várias classes que ajudam nesse monitoramento e, este capítulo, é responsável por apresentar essas classes que vão desde a manipulação do Event Log do Windows até classes que interagem com o WMI - Windows Management Instrumentation.
  • Capítulo 5 – Manipulando o sistema de arquivos Grande parte das aplicações comerciais que temos atualmente manipulam arquivos. Esses arquivos são arquivos de bancos, arquivos de parceiros e fornecedores que servem para troca de informações. Enquanto os XML Web Services ainda não são uma realidade para muitas empresas, a manipulação de arquivos e seus respectivos conteúdos é ainda muito utilizado. Tendo esse cenário, o capítulo em questão abordará as principais classes contidas dentro do namespace System.IO para exemplificar e facilitar a manipulação de arquivos do disco e streams de dados.
  • Capítulo 6 – Serialização A serialização de dados é cada dia mais utilizada em aplicações. Por mais que isso aconteça nos bastidores, esse capítulo abordará desde o seu conceito até como implementá-la; e ainda, em seus diversos formatos, utilizando as classes fornecidas pelo .NET Framework 2.0. Além disso, analisaremos classes e Interfaces que temos disponíveis, que proporcionaram o processo de serialização e deserialização mais flexível, onde podemos customizar e interceptar cada um desses processos de acordo com a nossa necessidade.
  • Capítulo 7 – Globalização de Aplicações Cada vez mais se desenvolve softwares que podem ser acessados por várias pessoas de diferentes idiomas e de diferentes locais do mundo. Tendo esse cenário, é importante que a aplicação que estamos desenvolvendo seja possível ao usuário poder customizar o idioma que deseja visualizar os dados e ainda, poder criar a aplicação independente de qualquer cultura. Essa capítulo tem justamente essa finalidade, ou seja, de exibir o que o .NET Framework é capaz de fazer para atender essa necessidade que, torna-se cada vez mais comum.
  • Capítulo 8 – Criptografia Criptografia de dados é um ponto muito importante nos mais diversos tipos de aplicações. Geralmente, em aplicações onde alguns dos dados são muito sigilosos, como é o caso de aplicações financeiras, quais mantém os dados de seus clientes, é necessário que se mantenha esses dados seguros pois, se esses dados cairem em mãos erradas, essas pessoas com más intenções, não consigam entender e/ou recuperar esses dados em sua forma legível. Esse capítulo abordará extensamente as classes responsáveis por criptografia e hashing que o .NET Framework disponiliza, bem como utilizá-las e como aplicá-las ao dia-à-dia.
  • Capítulo 9 – Utilizando Code Access Security – CAS Toda aplicação que utiliza o Common Language Runtime (CLR) obrigatoriamente deve interagir com o sistema de segurança do mesmo. Quando a aplicação é executada, automaticamente é avaliado se ela tem ou não determinados privilégios. Dependendo das permissões que a aplicação tem, ela poderá rodar perfeitamente ou gerar erros relacionados a segurança. Code Access Security (também conhecido como CAS), é um mecanismo que ajuda limitar/conceder o acesso que o código que está querendo realizar, protegendo recursos e operações. Este capítulo abordará como utilizar o CAS, que é fornecido juntamente com o SDK do .NET Framework e, como configurar devidamente a aplicação para evitar problemas relacionados a segurança.
  • Capítulo 10 – Envio de Mensagens (E-mails) Envio de e-mails é muito comum em qualquer tipo de aplicação, seja ela uma aplicação para internet, uma aplicação para Windows ou até mesmo serviços que rodam sem uma intervenção do usuário. O .NET Framework fornece um namespace contendo classes e muitos outros tipos que podemos utilizar nas aplicação para habilitar o envio de e-mails e, conseqüentemente, torná-las muito mais dinâmicas e inteligentes.
  • Capítulo 11 – Criando Serviços do Windows Os Serviços do Windows (Windows Services), permitem-nos criar aplicações que rodam em “background” no sistema operacional. Estes serviços podem ser automaticamente inicializados quando o sistema operacional inicializar, podendo ainda ser pausado e reinicializado, sem apresentar nenhuma interface com o usuário. Esses serviços são ideais para ser usado em servidores ou em funcionalidades de longa duração que necessitem ser executadas de forma totalmente independente, sem a intervenção de um usuário. O capítulo corrente abordará desde a sua criação, depuração e instalação do mesmo.
  • Capítulo 12 – Interoperabilidade com componentes COM A Microsoft criou a plataforma .NET e, em pouco tempo, essa plataforma foi adotada por muitas e muitas empresas. Algo importante é que muitas dessas empresas, já tinham componentes COM que eram utilizados em massa nas aplicações e que são inviáveis para serem reescritos imediatamente. Felizmente a Microsoft pensou no legado e possibilita a interoperabilidade de componentes COM, interagindo com aplicações baseadas na plataforma .NET e vice-versa. Este capítulo mostrará os passos necessários para efetuar essa interoperabilidade entre as novas aplicações e o que já existe em código legado.
  • Capítulo 13 – Reflection Reflection é a habilidade de extrair informações de metadados de um determinado tipo, ou seja, quais parâmetros, métodos, entre outros membros um determinado tipo possui. Isso torna a aplicação bastante flexível, onde podemos extrair informações necessárias para podermos customizar e automatizar a criação de ferramentas e utilitários que auxiliam os próprios desenvolvedores. Além disso, permite a criação em runtime de Assemblies e como instanciar classes via programação. Esse capítulo propõe-se a explicar como criar esse tipo de funcionalidade dentro da aplicação.
  • Capítulo 14 – Threading A criação de threads permitem aumentar consideravelmente a performance das aplicações. Elas fornecem a habilidade de conseguirmos delegar processamentos em diversas unidades de execução, aumentando a capacidade de processamento de uma aplicação. Mas utilizando isso de forma errada, poderá piorar ao invés de melhorar, consumindo mais recursos do que o necessário, tendo um comportamento inesperado e retornando valores diferentes do esperado. O .NET Framework fornece várias classes que podemos utilizar para criação e gerenciamento de threads, bloqueio de recursos em um ambiente multi-threading e sincronização. Este capítulo irá ajudá-lo a conhecer alguns problemas existentes em aplicações que fazem o uso de threads e como contorná-los.

Referências Bibliográficas

  • Code Complete – Second Edition
    Autor: Steve McConnell
    Editora: Microsoft Press
    ISBN: 0-7356-1967-0
  • Writing Secure Code – Second Edition
    Autores: Michael Howard e David LeBlanc
    Editora: Microsoft Press
    ISBN: 0-7356-1722-8
  • CLR via C# – Second Edition
    Autor: Jeffrey Richter
    Editora: Microsoft Press
    ISBN: 0-7356-2163-2
  • Programming Visual C# 2005: The Language
    Autor: Donis Marshall
    Editora Microsoft Press
    ISBN: 0-7356-2181-0
  • Expressões Regulares – Uma abordagem divertida
    Autor: Aurélio Marinho Jargas
    Editora: Novatec
    ISBN: 85-7522-100-0
  • Collection 5160: Core Development with Microsoft .NET Framework 2.0
    Autor/Editor: Microsoft
  • Collection 5161: Advanced Development with Microsoft .NET Framework 2.0
    Autor/Editor: Microsoft

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Extensibilidade vs. Melhor Performance

by Israel Aece 27. July 2005 09:08

Este post se deve à um email que recebi de um colega me perguntando se utilizar Reflection para instanciar as classes de nosso sistema/projeto não perdemos em performance. Não cheguei a fazer testes precisos sobre isso, mas matérias que eu já li a respeito, dizem que instanciar os objetos via Reflection é mesmo mais lento que invocar diretamente o objeto.

Claro que se tivessemos já conhecimento de todas as variações que poderemos vir a ter, não precisaríamos utilizar Reflection, fazendo simplesmente um Select ... Case pelas nossas opções e assim instanciar a classe concreta correta através de nosso Factory Method.

Já se utilizarmos o Reflection, o nosso Factory Method ficaria mais ou menos como:

     Public Shared Function Create() As IAccount
          Dim path As String = GetConfigDAL()
          Return DirectCast(Assembly.Load(path).CreateInstance(path  & ".Account"), IAccount)
     End Function

E no código que instancia o objeto:

     Dim account As IAccount = MinhaDALFactory.Account.Create()

Queria mesmo colher opiniões, procurando saber de vossa parte qual é o mais interessante, ou seja, optar por uma melhor performance ou extensibilidade?

Nota 1: Os exemplos foram baseados no Microsoft Pet Shop 3.0, que foi desenvolvimento como um case-study da  Microsoft.

Nota 2: A Microsoft, neste case-study, levou em consideração tanto performance quanto extensibilidade (utilizando Reflection), e nem por isso a performance foi degradada.

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Meu nome é Israel Aece e sou especialista em tecnologias de desenvolvimento Microsoft, atuando como desenvolvedor de aplicações para o mercado financeiro utilizando a plataforma .NET. [ Mais ]

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