Uma alternativa aos cursores

by Israel Aece 24. June 2009 12:39

Uma funcionalidade que existe no SQL Server é a capacidade de iterar pelos resultados de uma consulta através de cursores. Não sou especialista em SQL Server, mas sei que a sua utilização degrada consideravelmente a performance. Talvez se utilizá-lo em uma quantidade pequena de informações, ele pode executar bem, mas não sei ao o impacto que isso causa, devido aos recursos do sistema que ele utiliza para fazer funcionar.

Como havia a necessidade de melhorar o resultado de um relatório extremamente complexo, e as alternativas em T-SQL já estavam esgotadas, a solução foi recriar a Stored Procedure utilizando o .NET. Sustituimos os cursores por SqlDataReaders, e a diferença foi bastante significativa. E ainda nem precisei abrir mão da segurança, já que o Assembly com a Stored Procedure gerenciada, foi catalogado com o nível de segurança definido como Safe.

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Segurança em SQLCLR

by Israel Aece 11. September 2008 11:03

O .NET Framework 2.0 em conjunto com o SQL Server 2005 permite criarmos Stored Procedures, FunctionsTriggers em código gerenciado (C# ou VB.NET). Quando o código que colocamos dentro destes objetos são códigos puramente de acesso à dados, não encontramos problemas no momento de catalogar o Assembly dentro do SQL Server.

Alguns cuidados devem ser tomados quando, dentro destes códigos, há acesso à recursos externos, como IO, Threading, SMTP, etc. Ao catalogar o Assembly, podemos definir uma propriedade chamada PERMISSION_SET, que aceita uma das tres opções a seguir:

  • SAFE: É o padrão. Neste modo o Assembly somente poderá rodar no contexto local, mas não através do SqlClient. Previne também o acesso através de recursos externos e de código não gerenciado.
  • EXTERNAL_ACCESS: É o mesmo que SAFE, somente habilitando o acesso aos recursos externos.
  • UNSAFE: Acesso irrestrito, desde que o Assembly seja assinado e catalogado por um usuário que seja membro do grupo sql_admins.

Quando temos acesso a recurso externo, então teoricamente devemos definir a PERMISSION_SET como EXTERNAL_ACCESS. O problema é que, por padrão, isso não é permitido e se tentarmos, a seguinte mensagem de erro será retornada:

CREATE ASSEMBLY for assembly '%' failed because assembly '%' is not authorized for PERMISSION_SET = EXTERNAL_ACCESS.  The assembly is authorizedwhen either of the following is true: the database owner (DBO) has EXTERNAL ACCESS ASSEMBLY permission and the database has the TRUSTWORTHY database property on; or the assembly is signed with a certificate or an asymmetric key that has a corresponding login with EXTERNAL ACCESS ASSEMBLY permission.

Como a própria mensagem de erro diz, bastaríamos definir a propriedade TRUSTWORTHY do banco de dados como ON, permitindo assim o acesso aos recursos utilizados. O problema é que isso não é recomendado pela Microsoft, já que possibilitaria que qualquer Assembly seja catalogado, até mesmo Assemblies maliciosos.

Para contornar o problema e catalogar o Assembly concedendo a ele, privilégios para acesso à recursos externos, a solução é a criação de de uma chave assimétrica (baseada em chave pública/privada). Para isso, utilizamos a opção CREATE ASYMMETRIC KEY juntamente com a opção FROM EXECUTABLE FILE; isso fará com que a chave pública seja importada do Assembly (devidamente assinado com Strong Name) onde está o código gerenciado com os objetos SQL e irá criá-la dentro do banco de dados master. Depois disso, devemos criar um login e vinculá-lo a esta chave assimétrica que acabamos de gerar. Finalmente damos permissão para acesso à recursos externos à este login, como é mostrado no código abaixo:

CREATE ASYMMETRIC KEY MinhaChave FROM EXECUTABLE FILE = 'C:\SQLExtensibility.dll'
CREATE LOGIN MeuLogin FROM ASYMMETRIC KEY MinhaChave
GRANT EXTERNAL ACCESS ASSEMBLY TO MeuLogin

Depois disso, basta catalogar o Assembly via IDE ou até mesmo via código, concedendo à ele EXTERNAL_ACCESS, como é mostrado no código abaixo:

CREATE ASSEMBLY RecursosExtras
FROM 'C:\SQLExtensibility.dll'
WITH PERMISSION_SET = EXTERNAL_ACCESS

Apesar da primeira forma (TRUSTWORTHY) ser muito mais simples, o melhor é seguir a recomendação da Microsoft, não concedendo TRUSTWORTHY para a base de dados que apenas utilizam recursos externos a partir de um Assembly CLR.

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Data | Security

Customizando o SQLCLR

by Israel Aece 20. May 2008 12:38

Uma das maiores novidades (e aparentemente pouco utilizada/comentada) que o SQL Server 2005 trouxe em conjunto com o .NET Framework 2.0, foi a capacidade de escrevermos Stored Procedures, Triggers e Functions em código gerenciado, ou seja, VB.NET ou C#, como dito aqui.

A idéia por trás da criação destes objetos em .NET é justamente fornecer ao SQL Server, acesso a recursos que são extremamente difícieis em uma linguagem de banco, garantindo também que outras aplicações (não gerenciadas) possam fazer o acesso as mesmas Stored Procedures sem pagar pelo preço do COM Interop. Sendo assim, dentro de uma Stored Procedure, antes de retornar os dados para o chamador, voce pode customizar o result-set, definindo os campos que achar conveniente e, além disso, pode aplicar a manipulação que desejar.

Imagine o seguinte cenário: voce tem uma coluna na sua tabela e, dentro dela, é necessário guardar um relatório. Dependendo do tamanho do relatório e da quantidade de registros, voce poderá "inchar" a sua base de dados rapidamente; sendo assim, voce poderia recorrer a compactação fornecida pelo .NET 2.0 e, antes de guardar ou antes de exibir, aplicar essa (des)compactação. A idéia do código abaixo é justamente, antes de retornar o result-set para o cliente, customizar a sua saída, ou seja, não é necessário retornar exatamente os dados provenientes da query que voce faz internamente.

[SqlProcedure]
public static void ResgatarConsultas()
{
    using (SqlConnection conn = new SqlConnection("context connection=true"))
    {
        string query = "SELECT Data, Relatorio FROM Tabela";

        using (SqlCommand cmd = new SqlCommand(query, conn))
        {
            conn.Open();
            using (SqlDataReader dr = cmd.ExecuteReader(CommandBehavior.CloseConnection))
            {
                SqlDataRecord record =
                    new SqlDataRecord(
                        new SqlMetaData("Data", SqlDbType.DateTime),
                        new SqlMetaData("Relatorio", SqlDbType.Text));

                SqlContext.Pipe.SendResultsStart(record);

                while (dr.Read())
                {
                    if (!dr.IsDBNull(0) && !dr.IsDBNull(1))
                    {
                        record.SetDateTime(0, dr.GetDateTime(0));
                        record.SetString(1,
                            Encoding.Default.GetString(IO.Decompress((byte[])dr.GetValue(1))));

                        SqlContext.Pipe.SendResultsRow(record);
                    }
                }

                SqlContext.Pipe.SendResultsEnd();
            }
        }
    }
}

Se repararmos no código acima, não há nada de novidade, pois utilizamos as mesmas classes do ADO.NET em uma aplicação tradicional. A única diferença é que não vamos expor o result-set da forma em que ele é retornado pela query interna; antes disso, será necessário passar pelo algoritmo de descompactação.

A classe SqlDataRecord representa uma linha de metadados; é através dela que vamos construir a estrutura do result-set. O construtor recebe um array de objetos do tipo SqlMetadata onde, em cada uma delas, precisamos especificar o nome e o tipo de dado do campo. Feito isso, recorremos ao método SendResultsStart passando a instancia da classe SqlDataRecord para caracterizar o ínicio do retorno para o cliente.

Uma vez que isso está pronto, utilizamos o tradicional SqlDataReader para percorrer os registros internos (retornados pelo query) e definirmos os valores fornecidos por ele para o SqlDataRecord. Note que vinculamos cada coluna do SqlDataReader a uma determinada coluna do SqlDataRecord, fazendo isso através de métodos do tipo SetXXX, onde XXX deve ser substituído pelo tipo de dado a ser carregado. O primeiro parametro de métodos SetXXX é um número inteiro que representa a coluna (do result-set) em que uma determinada coluna do SqlDataReader será carregada. Fazemos esse processo por cada iteração do SqlDataReader e, dentro deste loop, passamos o SqlDataRecord para o método SendResultsRow que, por sua vez, envia a linha para o cliente.

Finalmente, para encerrar o processamento, invocamos o método SendResultsEnd para informar ao chamador que o result-set está finalizado.

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Criando objetos SQL-CLR

by Israel Aece 15. August 2005 15:06

Como sabemos, utilizamos o T-SQL (Transact Structure Query Language) para acessar e manipular dados em um Banco de Dados SQL Server. Como o T-SQL é uma linguagem de Banco, ela é bastante limitada além de procedural; muitas vezes precisamos fazer algo dentro da Base de Dados onde ficamos impossibilitados, tendo que trazer os dados para a aplicação e assim fazer as devidas manipulações e/ou consistências ali.

Nesta nova versão do SQL Server e do Visual Studio .NET (SQL Server 2005 e Visual Studio 2005, respectivamente), a Microsoft integrou o CLR (Common Language Runtime) do .NET com o SQL Server 2005, podendo assim desenvolver Stored Procedures, Triggers, User-Defined Functions, User-Defined Types utilizando uma linguagem .NET como, por exemplo, Visual Basic .NET ou Visual C# .NET, ou seja, em código gerenciado (managed code).

A integração com o Common Language Runtime (CLR) traz uma série de benefícios, pois agora os desenvolvedores não estarão mais limitados a utilizar o T-SQL quando quiserem fazer interações com o SQL Server, onde podem escrever códigos em linguagens .NET e ter toda a riqueza que estas nos oferecem, como por exemplo: tratamento de erros estruturados, arrays, coleções fortemente tipadas, laços For...Next e For Each e até mesmo utilizarmos uma Regular Expression para validar um determinado campo. Podemos também usufruir do CLR, indicando nos em compile-time erros de sintaxe até mesmo buffer overflows que possam vir a acontecer. O mais interessante ainda é que, para termos boa performance, o runtime do .NET é lazy loading para o usuário do SQL Server, ou seja, somente carregará quando for realmente necessário, portanto, quando invocar pela primeira vez uma Stored Procedure ou qualquer outro objeto que lá dentro se encontra.

Vamos ver no decorrer deste artigo como fazer para criar esses tipos de objetos utilizando uma linguagem .NET. O artigo se baseia na versão Beta 2 do SQL Server 2005 e versão Beta 1 do Visual Studio .NET 2005. Vale lembrar que, pelo fato destes softwares estarem ainda em suas versões betas, é possível que até a sua versão final alguma característica possa vir a mudar.

No Visual Studio .NET foi criado uma série de novos Templates para projetos. Um deles é o SQL Server Project , que é justamente para esta finalidade: criar objetos para o SQL Server. Para isso, ao iniciar o Visual Studio .NET 2005, basta criar um novo projeto e, ao selecionar a linguagem desejada, terá os templates para projetos para Base de Dados (Database). A Figura 1 ilustra este processo.

Quando o projeto é criado, é apresentada uma caixa de diálogo para informar o servidor de Banco de Dados pelo qual queremos criar os objetos. Neste momento temos que informar os dados para acesso, como: Nome do Servidor, Login e Password e a Base de Dados em si.

Criado o projeto e configurado a conexão com a Base de Dados, podemos já iniciar a construção dos objetos. Mas antes disso, vamos entender um pouco mais sobre cada um destes objetos:

Objeto  Descrição
Stored Procedures  Uma Stored Procedure (ou Procedimento Armazenado) é uma coleção de instruções T-SQL que é armazenada no servidor de Banco de Dados. A Stored Procedure nada mais é que um método qual encapsula a lógica de uma tarefa repetitiva, fornecendo suporte à declaração de variáveis, condicionais, laços e outros recursos de programação.
Triggers  Uma Trigger é um Procedimento Armazenado que é executado quando os dados de uma tabela específica são modificados. É bastante utilizado para impor integridade referencial ou consistência entre dados relacionados (claro, em tabelas diferentes).
User-Defined Functions Com o SQL Server você pode criar suas próprias funções para estender as funcionalidades do mesmo. Ele pode conter um ou mais parâmetros de entrada, podendo retornar um valor escalar ou uma tabela.
User-Defined Types O SQL Server fornece vários tipos de dados de sistema, mas não se limita a eles. Você pode criar tipos de dados específicos para a sua aplicação, baseando-se obrigatóriamente nestes tipos de dados do sistema. 

Criando objetos no .NET - Stored Procedures

Depois de entendermos o que é cada um desses objetos veremos como criá-los no Visual Studio .NET 2005. Para criar um novo objeto do tipo Stored Procedure dentro do projeto SQL Server devemos clicar com o botão direito em cima do Projeto no Solution Explorer >> Add >> Strored Procedure. Um arquivo é criado com a extensão *.vb (ou *.cs se o projeto tiver como linguagem o Visual C# .NET). Depois de adicionado, podemos ver que a IDE criou uma Partial Class, chamada StoredProcedures. Na medida que você for criando objetos deste tipo, outras Partial Class são também criadas e, quando compilado o projeto, estas, por sua vez são mescladas (merge) em uma única classe chamada StoredProcedures. Ao adicionar um novo objeto do tipo Stored Procedure, terá o código semelhante ao abaixo:

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Imports System
Imports System.Data
Imports System.Data.Sql
Imports System.Data.SqlServer
Imports System.Data.SqlTypes
 
Partial Public Class StoredProcedures
    <SqlProcedure()> Public Shared Sub StoredProcedure1()
        ' Add your code here
    End Sub
End Class
 

Código 1 - Código gerado pela IDE quando solicitamos uma nova Stored Procedure.


O Atributo <SqlProcedure()> determina que o procedimento é uma Stored Procedure. O Visual Studio .NET usa esta determinação para criar a Stored Procedure dentro do SQL Server quando o Deployment é feito. Como já vimos acima, uma Partial Class chamada StoredProcedures é criada e dentro dela colocamos uma ou mais Stored Procedures. O interessante é colocar uma Stored Procedure por arquivo para facilitar a manutenção, mas isso não é uma regra obrigatória.

Vale ressaltar também que, independentemente se criarmos as Stored Procedures em um mesmo arquivo ou em arquivos separados, ao compilar, as Partial Class são mescladas e, com isso, as Stored Procedures ficam todas dentro de uma mesma classe, como já mencionamos acima. Para certificarmos que isso realmente acontece, podemos visualizar através do Class View do Visual Studio .NET, como vemos na Figura 4 abaixo:

 

Figura 4 - Class View do Visual Studio .NET 2005.

Depois de entendido a estrutura de como isso funciona, vamos então ao código que mostrará realmente a construção da Stored Procedure. O nosso cenário consiste em três tabelas, onde na primeira são armazenados os Fabricantes de Veículos. Já a segunda se encarrega de armazenar os Veículos dos respectivos Fabricantes e, por fim, temos uma tabela chamada Log que guardará os Logs de inserção, deleção e atualização efetuados na tabela Veiculo. A nossa tabela já está pré-configurada com os fabricantes. Um "select" na mesma nos retornará aos seguintes dados:

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SELECT * FROM Fabricante
 
FabricanteID Nome
-------------- --------------------------------------------------
1                 Audi
2                 Fiat
3                 Ford
4                 Volkswagen
5                 Chevrolet
 
(5 row(s) affected)
 

Código 2 - Dados pré-configurados na Tabela Fabricante para os exemplos do artigo.


Para complementar temos ainda a tabela de Veiculos, qual contém os veículos relacionados com os seus respectivos fabricantes, qual também já temos uma pré-carga com alguns dados:

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SELECT
  Fabricante.Nome As Fabricante
  , Veiculo.Nome As Veiculo
FROM Veiculo
INNER JOIN Fabricante ON
  Fabricante.FabricanteID = Veiculo.FabricanteID
 
Fabricante             Veiculo
-------------------   --------------------------------------------------
Audi                     A3
Fiat                      Palio
Ford                     Fiesta
Volkswagen           Golf
Chevrolet              Corsa
 
(5 row(s) affected)
 

Código 3 - Dados pré-configurados na Tabela Veiculo para os exemplos do artigo.


Portanto, agora vamos transpor a última query, que retorna os Veículos e seus respectivos Fabricantes para uma Stored Procedure em .NET. A mesma vai chamar-se RetornaVeiculos. O código abaixo exemplifica isso:

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Imports System
Imports System.Data
Imports System.Data.Sql
Imports System.Data.SqlServer
Imports System.Data.SqlTypes
 
Partial Public Class StoredProcedures
    <SqlProcedure()> Public Shared Sub RetornaVeiculos()
        Dim cmd As SqlCommand = SqlContext.GetCommand()
        Dim pipe As SqlPipe = SqlContext.GetPipe()
        
        Dim query As String = "SELECT "
        query &= "Fabricante.Nome, Veiculo.Nome "
        query &= "FROM Veiculo "
        query &= "INNER JOIN Fabricante ON "
        query &= "Fabricante.FabricanteID = Veiculo.FabricanteID"
        
        cmd.CommandText = query
        pipe.Send(cmd.ExecuteReader())
    End Sub
End Class
 

Código 4 - Stored Procedure RetornaVeiculos().


Analisando o código acima, temos algums novos objetos. No caso do exemplo do código 4 nos é apresentado o SqlContext e o SqlPipe. Veremos a funcionalidade de cada um desses objetos logo abaixo:

  • SqlContext: Através da classe SqlContext você consegue interagir com o Banco de Dados daquele contexto/conexão do ambiente em que está executando-o, resgatando as informações e objetos necessários para a execução de um determinado comando no Banco de Dados como, por exemplo, GetConnection(), GetCommand(), GetTransaction() , etc.. 

  • SqlPipe:  Este por sua vez envia mensagens, dados tabulares ou até mesmo erros que possam vir a ocorrer durante a execução para o cliente. O conceito deste objeto é bastante similar ao objeto HttpResponse (Response) do ASP.NET, que envia informações para quem o está requisitando (Browser).

O método GetPipe() resgata o canal de comunicação entre o objeto e a aplicação cliente que o chama, ou seja, é a comunicação entre o cliente e o servidor. Através do método Send deste objeto você envia as informações para o cliente. Este mesmo método tem vários overloads (sobrecargas) que recebe diversos tipos de objetos para retornar ao cliente. Já a classe SqlContext representa o contexto corrente e, com isso, elimina a necessidade de abrir outra conexão com a Base de Dados. Com exceção dessas novidades, o resto do código é bastante parecido com o que temos hoje ao desenvolvermos através de código ADO.NET.

Adicionando o Assembly no SQL Server 2005

Depois de criado a(s) Stored Procedure(s), ou qualquer outro objeto, é necessário catalogar o Assembly gerado pelo Visual Studio .NET dentro do SQL Server 2005. Este processo consiste em dois passos: no primeiro deles você deve catalogar o Assembly, ou seja, "inserí-lo" dentro do SQL Server. No segundo passo você precisa mapear os objetos (Stored Procedures, Triggers, etc) para os métodos que estão dentro do Assembly que, nesta altura, já estará catalogado. Veremos como funciona o processo de catálogo de Assemblies através da DDL (Data Definition Language):

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USE BetaTester
  CREATE ASSEMBLY  ObjetosSQL 
    FROM 'C:\SQLCLR.NET\ObjetosSQL\bin\ObjetosSQL.dll'
    WITH PERMISSION_SET = SAFE
 

Código 5 - Catalogando o Assembly dentro do SQL Server 2005.


No SQL Server 2005 temos agora uma nova instrução dentro da linguagem DDL que chamamos de "CREATE ASSEMBLY". Esta instrução é utilizada para adicionarmos o Assembly dentro da Base de Dados. Como podemos ver, não existem muitos segredos: informamos um nome qualquer que identificará o Assembly e, na cláusula FROM, informarmos o path completo até o arquivo DLL gerado pelo Visual Studio .NET. Já a cláusula PERMISSION_SET permite especificar o nível de segurança em que seu código será executado/acessado. Existem três opções para esta cláusula, como veremos abaixo:

Tipo de Permissão  Descrição
SAFE É o default. Neste modo o Assembly somente poderá rodar no contexto local, mas não através do SqlClient. Previne também o acesso através de recursos externos e de código não gerenciado.
EXTERNAL_ACCESS  É o mesmo que SAFE, somente habilitando o acesso aos recursos externos. 
UNSAFE  Acesso irrestrito, desde que o Assembly seja assinado e catalogado por um usuário que seja membro do grupo sql_admins.

Depois de catalogado o Assembly dentro do nosso Banco de Dados, o que temos que realizar agora é a definição da Stored Procedure, mapeando o método RetornaVeiculos() que está dentro do Assembly. Para isso, utilizamos o código semelhante ao que se utiliza atualmente, ou seja, utilizando a linguagem DDL. Exemplo:

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USE BetaTester
  CREATE PROCEDURE RetornaVeiculos 
    AS EXTERNAL NAME
    ObjetosSQL.[ObjetosSQL.StoredProcedures].RetornaVeiculos
 

Código 6 - Mapeando os métodos/objetos dentro do SQL Server 2005.


Uma observação importante é que, se a Stored Procedure tiver parâmetros, você deverá também específicá-los quando for criá-la dentro do SQL Server. Depois de mapead, podemos executar a Stored Procedure normalmente. Se tudo ocorrer corretamente o resultado será o mesmo que está sendo exibido no código 3 deste artigo. Para executar a Stored Procedure pode-se fazer como já era feito nas versões anteriores do SQL Server:

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USE BetaTester
  EXECUTE RetornaVeiculos 
 

Código 7 - Executando a Stored Procedure.


Se analisarmos agora o Object Browser que encontra-se dentro do SQL Server Management Studio, veremos lá a Stored Procedure criada e o Assembly também já catalogado. Através da tabela sys.assembly_files você pode recuperar os Assemblies que estão catalogados dentro de um determinado Banco de Dados. Além dessa forma que foi explicado acima para catalogar o Assembly no SQL Server, pode ser feito automaticamente pelo Visual Studio .NET onde, depois de compilar o projeto, faz o Deployment do mesmo e com isso, os passos que foram efetuados acima ele faz automaticamente, incluindo todos os objetos dentro da Base de Dados em questão. Para realizar isso dentro do Visual Studio .NET 2005 vá até o menu Build e clique na opção "Build <Project>".

Triggers

Como já sabemos, Triggers são disparadas quando uma ação de INSERT, UPDATE ou DELETE é executada em uma determinada tabela e as utilizamos quando necessitamos criar integridade ou mesmo fazer consistências dos dados da Base de Dados. Mas os eventos (ações, como são tratados em .NET) não se restringem somente à estas opções, tendo inclusive ações que detectam, por exemplo, a criação de tabelas dentro da Base de Dados. Para o uso das CLR Triggers, quando você cria uma Trigger no Visual Studio, o nome da Partial Class é Triggers.

No restante é bem semelhante, mesmo a construção das Stored Procedures como já vimos acima. A principal diferença está na recuperação do Contexto onde o comando corrente é executado, ou seja, dentro da Trigger você recupera o contexto através do método GetTriggerContext do objeto SqlContext. Este método fornece as mesmas informações do anterior, incluindo o acesso às tabelas virtuais que são criadas durante a execução da Trigger, tabelas quais armazenam os dados que causaram o disparo da mesma.

Outra diferença também é que o atributo para o método também muda. Agora temos que utilizar o seguinte atributo: <SqlTrigger(...)>, o qual veremos detalhadamente mais abaixo. No cenário dos nossos testes criaremos uma Trigger vinculada à tabela Veiculo onde, a cada Inserção, Atualização ou Deleção um Log deve ser gerado na tabela Log. Abaixo o código da mesma para analisarmos:

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Imports System
Imports System.Data
Imports System.Data.Sql
Imports System.Data.SqlServer
Imports System.Data.SqlTypes
 
Partial Public Class Triggers
     <SqlTrigger(Event:="FOR INSERT, UPDATE, DELETE", Name:="GeraLog", Target:="Veiculo")> _
     Public Shared Sub GeraLog()
        Dim context As SqlTriggerContext = SqlContext.GetTriggerContext()
        Dim cmd As SqlCommand = SqlContext.GetCommand()
        
        Select Case context.TriggerAction
            Case TriggerAction.Insert
                cmd.CommandText = "INSERT INTO [Log] (Descricao) VALUES ('INSERÇÃO.')"
            Case TriggerAction.Delete
                cmd.CommandText = "INSERT INTO [Log] (Descricao) VALUES ('DELEÇÃO.')"
            Case TriggerAction.Update
                cmd.CommandText = "INSERT INTO [Log] (Descricao) VALUES ('ATUALIZAÇÃO.')"
        End Select
        cmd.ExecuteNonQuery()
    End Sub
End Class
 

Código 8 - Trigger GeraLog().


Analisando o código acima vemos que o construtor do atributo SqlTrigger têm alguns parâmetros:

  • Event:  É o evento em que a Trigger vai ser disparada caso o mesmo aconteça. Se quisermos que a Trigger seja disparada toda vez em que uma inserção de um novo registro seja efetuada na Tabela, definimos como "FOR INSERT". O mesmo acontece para atualização e deleção de registros. É importante lembrar que a cláusula "FOR" não é necessária para cada uma dessas ocasiões. 

  • Name:  O nome em si da Trigger.

  • Target: A tabela que será o "alvo", ou melhor, a tabela em que a Trigger será anexada. A tabela em que é detectada alguma ação e esta estiver sendo capturada.

Vale lembrar que é perfeitamente possível acessar as tabelas virtuais "INSERTED" e "DELETED", que são criadas pela Triggers quando a mesma é executada. Recuperando o contexto da Trigger através do método GetTriggerContext e através da ação da Trigger (verificado com o enumerador System.Data.Sql.TriggerAction) executamos um código específico para aquele processo. No caso do exemplo que é exibido no Código 8 inserimos uma nova linha na tabela Log informando a ação que foi executada.

O processo de criação dentro do SQL Server funciona da mesma forma que é feito para a Stored Procedure, ou seja, utilizando a linguagem DDL (Data Definition Language). O que muda é apenas o nome, agora sendo TRIGGER e tendo que informar em qual evento o mesmo será disparado. O exemplo abaixo exemplifica como a criação é realizada:

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USE BetaTester
  CREATE TRIGGER GeraLog 
    ON Veiculo
    FOR INSERT, UPDATE, DELETE
    AS EXTERNAL NAME
    ObjetosSQL.[ObjetosSQL.StoredProcedures].GeraLog
 

Código 9 - Criando a Trigger dentro do SQL Server 2005.



User-Defined Functions (UDFs)

A construção e deploymet de User-Defined Functions é da mesma forma que as explicadas anteriormente. Como é necessário, o atributo para o método agora é o <SqlFunction(...)>. Vamos ver abaixo o código para termos um exemplo de uma UDF criada pela linguagem .NET:

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Imports System
Imports System.Data
Imports System.Data.Sql
Imports System.Data.SqlServer
Imports System.Data.SqlTypes
 
Partial Public Class UserDefinedFunctions
     <SqlFunction(DataAccess:=DataAccessKind.Read)> _
     Public Shared Function RetornaQtdeVeiculos() As Integer
        Dim cmd As SqlCommand = SqlContext.GetCommand()
        cmd.CommandText = "SELECT COUNT(*) FROM Veiculo"
        Return Convert.ToInt32(cmd.ExecuteScalar())
    End Function
End Class
 

Código 10 - UDF - User-Defined Function RetornaQtdeVeiculos().

Como vemos, agora o procedimento é do tipo Function, justamente porque um valor é retornado. Utilizando a função COUNT(*) para retornar a quantidade de registros e através do método ExecuteScalar(), recuperamos este valor da Base de Dados e utilizando o Return, retornamos o valor ao cliente.


T-SQL vs. Managed Code

Uma das grandes dúvidas, com este novo recurso que será disponibilizado nas próximas versões do Visual Studio .NET e SQL Server 2005, é saber quando utilizar código gerenciado e quando utilizar o T-SQL. Com esta questão temos que analisar alguns fatores para a escolha. O T-SQL é interessante utilizar onde o código executará em sua maior parte diretamente acessando os dados, sem nenhuma lógica complexa ou procedural; já a utilização do código gerenciado facilita quando você necessita tirar proveito ao máximo das capacidades de linguagens de programação como, por exemplo, Visual Basic .NET ou Visual C# .NET, inclusive conceitos de orientação à objetos, integrando assim com recursos que dificilmente conseguimos em uma linguagem de Banco de Dados, que é muito limitada em relação à estas linguagens genuínas. Temos, além disso, a vantagem de usufruirmos da biblioteca do .NET Framework para trabalharmos.


Conclusão
: Neste artigo foram apresentadas algumas das novas features do novo SQL Server. Para que não ficasse muito extenso, inúmeros outros recursos não foram abordados neste artigo como, por exemplo, suporte à chamadas assíncronas, métodos para paginação de dados que retornam SqlDataReaders. Inclusive uma nova característica muito interessante, pois não precisamos mais de várias conexões com a base de dados para múltiplos comandos, podendo compartilhar a mesma conexão entre os comandos, fornecendo um grande ganho de performance e escalabilidade. E, como vimos no decorrer do artigo, o código é muito semelhante ao que já é utilizado atualmente em aplicações .NET que fazem acesso aos dados utilizando o ADO.NET. Agora temos mais de uma opção quando quisermos escrever códigos de acesso e manipulação de dados, ou seja, podemos escolher .NET (managed code) ou ainda continuar utilizando o T-SQL.

SQLCLR.NET.zip (208.69 kb)

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