Israel Aece

Software Developer

Event Sourcing - Parte 1

Todos temos uma conta bancária. Além das informações cadastrais, muito provavelmente ela também possui o saldo atual, que representa o quanto temos naquele exato momento, podendo ser positivo, negativo ou simplesmente zero.

O saldo, subindo ou descendo, queremos, obrigatoriamente, saber como ele chegou naquele valor. É importante saber o saldo que tínhamos em uma determinada data (retroativa) e o que aconteceu para ele atingir o saldo atual.

Felizmente todos os bancos dão aos seus correntistas o extrato de sua respectiva conta. É com ele que vamos conseguir enxergar o aumento ou diminuição do nosso dinheiro. Posicionado em uma data, identificando o saldo daquele dia, se viermos somando os valores (lembrando que pode ser positivo ou negativo), chegaremos ao saldo atual da conta. Claro, se nada estiver errado.

Tecnicamente falando, é provável que no banco de dados tenhamos uma estrutura de duas tabelas, onde uma teria os dados cadastrais da conta e a outra os lançamentos. A tabela pai provavelmente também irá armazenar o saldo atual da conta e outras características.



A medida em que os lançamentos são inseridos na segunda tabela, a coluna saldo da primeira vai sendo sensibilizado para refletir o saldo atual da conta. O valor atual do saldo vai sendo sobrescrito com o novo valor.

Já está claro que o importante para o dia a dia é o valor que temos disponível, ou seja, o saldo atual. Os lançamentos são necessários, até então, apenas para histórico; na maioria das vezes, eles são dispensáveis para operar a conta corrente (pagar contas, realizar saques, sacar dinheiro, etc.). Agora, considere o exemplo abaixo:



Repare que o saldo atual que temos não corresponde a soma dos lançamentos da segunda tabela. É provável que nosso sistema possua um bug, que afeta diretamente a atualização do saldo atual.

Apesar de, teoricamente, os lançamentos estarem corretos, é difícil diagnosticar o problema, já que não é possível, de uma forma fácil, reproduzir os mesmos eventos, exatamente da forma em que eles aconteceram, para só assim identificar onde e quando o problema de fato ocorreu.

Eis que entra em cena o Event Sourcing. Ao invés de armazenar o estado atual da entidade em colunas e linhas, o uso desta técnica determina que se armazene uma sequência (stream) de eventos, onde cada um deles informa a ação que foi executada sobre a entidade. Quando esses eventos são recarregados, eles são reaplicados contra a entidade, reconstruindo a mesma. Depois de todos eventos processados, a entidade terá, novamente, o seu estado (versão) atual. Neste modelo não fazemos a persistência física das propriedades na base de dados.

Versionamento

Uma das preocupações neste modelo é com o versionamento da entidade. É através de versão que vamos controlar o processamento e aplicação dos eventos. A versão irá garantir que um evento não seja aplicado à entidade depois que outro evento tenha se antecipado e alterado o estado da mesma em relação ao momento em que ela foi construída, ou melhor, carregada.

Isso é conhecido como concorrência otimista. É algo que também já fazemos com o banco de dados relacional, comparando o valor anterior com o atual que está na tabela antes de proceder com o comando de UPDATE ou de DELETE. O controle pode ser feito de várias maneiras, mas para ser simplista, podemos nos ater ao uso de um número inteiro, que vai sendo incrementado a medida em que um novo evento é aplicado.

Snapshots

Ao longo do tempo, mais e mais eventos vão sendo adicionados e, eventualmente, a performance pode ser degradada. Neste caso, uma possível solução é a criação de snapshots, que depois de carregado os eventos, reaplicados na entidade, ela pode disponibilizar métodos para expor o seu estado atual.

Os snapshots também são armazenados e quando a entidade for recarregada, primeiramente devemos avaliar a existência dele antes de reaplicar os eventos. Se houver um snapshot, restauramos o estado da entidade e reaplicaremos os eventos que aconteceram do momento do snapshot para frente, não havendo a necessidade de percorrer toda a sequência de eventos, ganhando assim em performance. Tão importante quanto o estado atual, o snapshot também deve armazenar a versão atual da entidade, pois esta informação é essencial para o correto funcionamento dos snapshots. Essa rotina de criação de snapshots pode ser feita em background, em uma janela de baixa atividade do sistema, podendo ser implementado através de uma tarefa do Windows que roda periodicamente ou até mesmo com um Windows Service. Para a criação de snapshots, podemos recorrer ao padrão Memento, que nos permite expor e restaurar o estado sem violar o encapsulamento do objeto.

Naturalmente o cenário de conta corrente que vimos acima quase se encaixa perfeitamente neste modelo, exceto pelo fato de termos o saldo atual sumarizado e armazenado fisicamente. Vamos então transformar uma simples classe com uma coleção de lançamentos em um modelo que suporte a técnica descrita pelo Event Sourcing. Vale lembrar que isso é "apenas" mais uma forma de persistência. Você pode ter situações que talvez esse modelo seja útil e necessário, já para outros ambientes, pode ser considerado overkill.

Web Sockets com ASP.NET Web API

Há algum tempo eu comentei sobre a possibilidade do WCF expor serviços para serem consumidos utilizando a tecnologia de Web Sockets. Neste mesmo artigo eu falei sobre os detalhes do funcionamento deste protocolo, e que se quiser saber o seu funcionamento e implementação em um nível mais baixo, aconselho a leitura.

Como sabemos, o WCF é uma tecnologia que roda do lado do servidor. Da mesma forma que temos o ASP.NET Web API, que é uma tecnologia que utilizamos para criarmos APIs e expor para os mais diversos tipos de clientes. Assim como a Microsoft adicionou o suporte à web sockets no WCF, ela também fez o mesmo com o ASP.NET Web API e MVC, ou seja, incorporou no próprio framework o suporte para criação de recursos que são expostos utilizando web sockets.

É importante dizer que a Microsoft também criou uma outra tecnologia chamada de SignalR, que fornece diversos recursos para a criação de aplicações que precisam gerar e consumir informações que são consideradas de tempo real. Este framework já possui classes que abstraem a complexidade de exposição destes tipos de serviços, fornecendo classes de mais alto nível para trabalho.

Entre os novos tipos que foram adicionados, temos a propriedade IsWebSocketRequest (exposta pela classe HttpContext), que retorna um valor boleano indicando se a requisição está solicitando a migração do protocolo para web sockets. Caso seja verdadeiro, então recorremos ao método AcceptWebSocketRequest da mesma classe para especificarmos a função que irá periodicamente ser executada.

Para o exemplo, vamos criar um publicador de notícias, que quando o cliente optar por assiná-lo, ele irá receber as notícias de forma randômica em um banner a cada 2 segundos. Como podemos ver no código abaixo, o método Assinar da API é exposto para que os clientes cheguem até ele através do método GET do HTTP. Como se trata de uma solicitação de migração, retornamos o código 101 do HTTP indicando a troca do protocolo para web sockets.

public class PublicadorController : ApiController
{
    private static IList<string> noticiais;
    private static Random random;

    static PublicadorController()
    {
        noticiais = new List<string>()
        {
            "You can buy a fingerprint reader keyboard for your Surface Pro 3",
            "Microsoft's new activity tracker is the $249 Microsoft Band",
            "Microsoft's Lumia 950 is the new flagship Windows phone",
            "Windows 10 will start rolling out to phones in December",
            "Microsoft's Panos Panay is pumped about everything (2012–present)"
        };

        random = new Random();
    }

    [HttpGet]
    public HttpResponseMessage Assinar()
    {
        var httpContext = Request.Properties["MS_HttpContext"] as HttpContextBase;

        if (httpContext.IsWebSocketRequest)
            httpContext.AcceptWebSocketRequest(EnviarNoticias);

        return new HttpResponseMessage(HttpStatusCode.SwitchingProtocols);
    }

    private async Task EnviarNoticias(AspNetWebSocketContext context)
    {
        var socket = context.WebSocket;

        while (true)
        {
            await Task.Delay(2000);

            if (socket.State == WebSocketState.Open)
            {
                var noticia = noticiais[random.Next(0, noticiais.Count - 1)];
                var buffer = new ArraySegment<byte>(Encoding.UTF8.GetBytes(noticia));

                await socket.SendAsync(buffer, WebSocketMessageType.Text, true, CancellationToken.None);
            }
            else
            {
                break;
            }
        }
    }
}

Já dentro do método EnviarNoticias criamos um laço infinito que fica selecionando randomicamente uma das notícias do repositório e enviando para o(s) cliente(s) conectado(s). É claro que também podemos receber informações dos clientes conectados. Para o exemplo estou me limitando a apenas gerar o conteúdo de retorno, sem receber nada. Se quiser, pode utilizar o método ReceiveAsync da classe WebSocket para ter acesso à informação enviada por ele. E, por fim, para não ficar eternamente rodando o código, avaliamos a cada iteração se o estado da conexão ainda continua aberto, caso contrário, encerramos o mesmo.

E do lado do cliente, se for uma aplicação web, vamos recorrer ao código Javascript para consumir este serviço. Temos também a disposição deste lado a classe WebSocket, que quando instanciada, devemos informar o endereço para o método que assina e migra o protocolo para web sockets. Repare que a instância é criada dentro do evento click do botão Conectar e também já nos associamos aos eventos - autoexplicativos - onopen, onmessage e onclose (e ainda tem o onerror).

<!DOCTYPE html>
<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">
<head>
    <title></title>
    <script type="text/javascript" src="https://code.jquery.com/jquery-2.1.4.min.js"></script>
    <script type="text/javascript">
        var ws;

        $().ready(function ()
        {
            $("#Conectar").click(function () {
                ws = new WebSocket("ws://localhost:2548/api/Publicador/Assinar");

                ws.onopen = function () {
                    $("#Status").text("Conectado. Recuperando Notícias...");
                };

                ws.onmessage = function (evt) {
                    $("#Status").text("");
                    $("#Banner").text(evt.data);
                };

                ws.onclose = function () {
                    $("#Banner").text("");
                    $("#Status").text("Desconectado");
                };
            });

            $("#Desconectar").click(function () {
                ws.close();
            });
        });
    </script>
</head>
<body>
    <input type="button" value="Conectar" id="Conectar" />
    <input type="button" value="Desconectar" id="Desconectar" />
    <br /><br />
    <span id="Status"></span>
    <span id="Banner"></span>
</body>
</html>

Quando acessar a página HTML e clicar no botão Conectar, o resultado é apresentado abaixo. A qualquer momento podemos pressionar no botão Desconectar e indicar ao servidor que não estamos mais interessados no retorno das informações. A cada envio de mensagem do servidor para o cliente, o evento onmessage é disparado, e estamos exibindo a mensagem em um campo na tela.



Apenas para informação, o Fiddler é capaz de identificar quando a conexão é migrada para web sockets, e a partir daí consegue capturar as mensagens que são enviados para o cliente. A imagem abaixo é possível visualizar o log capturado depois da assinatura realizada:

Externalizando a Emissão de Tokens

No artigo anterior eu mostrei como emitir tokens para aplicações que consomem APIs. Como podemos notar naquele artigo, o mesmo projeto e, consequentemente, a mesma aplicação, é responsável por gerenciar, validar e autenticar os usuários. Enquanto isso é o suficiente para aplicações pequenas, pode não ser muito produtivo e de fácil gerenciamento quando temos outras aplicações que também precisam de autenticação.

Se for analisar mais friamente, talvez até quando temos uma pequena aplicação, seja mais viável manter uma segunda aplicação que seria responsável por todo o processo de autenticação, e a medida em que novos serviços são criadas, eles confiariam neste autenticador que já está pronto.

O que faremos neste artigo é separar o código que é responsável por validar e emitir os tokens da aplicação (API) que consome o token e libera o acesso aos recursos mediante a validade do mesmo. A imagem abaixo ilustra o fluxo que será executado a partir de agora:



Note que o Autenticador é responsável por validar e emitir o token para o usuário que se identifica para ele; o Serviço é onde está hospedada a aplicação que irá consumir o token. Basicamente temos que dividir aquele código do outro artigo em dois projetos, ou seja, não há necessidade nem de por nem tirar qualquer linha de código. O serviço passa a ter apenas o código que pluga no pipeline de execução a validação do token:

public void Configuration(IAppBuilder app)
{
    var config = new HttpConfiguration();

    ConfigureOAuth(app);
    WebApiConfig.Register(config);

    app.UseWebApi(config);
}

private static void ConfigureOAuth(IAppBuilder app)
{
    app.UseOAuthBearerAuthentication(new OAuthBearerAuthenticationOptions());
}

O restante do código, que é onde configuramos a validação do usuário, é movido para a aplicação chamada de Autenticador. A aplicação cliente passa a apontar para os endereços, agora em diferentes locais, para emitir o token em um deles, e passar o token gerado para a aplicação.

using (var client = new HttpClient())
{
    using (var tokenResponse = await
        client.PostAsync("http://www.autenticador.com.br:81/issuer/token", CreateContent()))
    {
        ...

        using (var requestMessage =
            new HttpRequestMessage(HttpMethod.Get, "http://www.servico.com.br:82/api/Test/GetData"))
        {
            ...
        }
    }
}

Por fim, se rodarmos ele não irá funcionar. O motivo é que o token é protegido utilizando as chaves que estão no elemento machineKey dentro do arquivo Web.config. Se as aplicações (Autenticador e Serviço) tiverem chaves diferentes, então o token gerado pelo Autenticador não será possível ser consumido pelo Serviço. O que precisamos fazer aqui é gerar uma chave e copiar a mesma para as duas aplicações. Para gerar essas chaves, podemos recorrer à um recurso que temos no próprio IIS (mais detalhes aqui). Abaixo tem o arquivo Web.config já com esta configuração realizada. Vale lembrar que o tamanho das chaves foi reduzido por questões de espaço.

<machineKey
    validationKey="D2E9D0907...47BC9F8A598"
    decryptionKey="7278E7F93...658B70DE07E21CF"
    validation="SHA1"
    decryption="AES" />

Depois desta informação espelhada em ambas as aplicações, já é possível uma das aplicações gerar o token e a outra consumi-lo.

Suportando apenas um formato de conteúdo

O ASP.NET Web API já traz nativamente suporte a negaciação de conteúdo, ou seja, baseado na requisição do cliente (através de headers), a API é capaz de interpretar e gerar conteúdo de acordo com a necessidade do mesmo. Os formatadores são os responsáveis por realizar a leitura do conteúdo e materializar em um objeto, bem como serializar um objeto em um formato específico.

A coleção de formatadores está acessível através da propriedade Formatters da classe HttpConfiguration. Se utilizarmos o ASP.NET Web API, veremos que nativamente esta coleção já vem com 4 formatadores adicionados: JsonMediaTypeFormatter, XmlMediaTypeFormatter, FormUrlEncodedMediaTypeFormatter e JQueryMvcFormUrlEncodedFormatter. Com estes formatadores já adicionados, o ASP.NET Web API consegue recepcionar ou devolver os principais tipos de conteúdo de forma "mágica", sem qualquer tipo de customização.

Se quisermos que nossa API apenas suporte um determinado tipo de conteúdo, poderíamos simplesmente remover os formatadores indesejados. Só que o problema é que a requisição e resposta ainda continuarão passando por todo o processo para determinar qual o formato desejado, gastando um tempo desnecessário, já que não há necessidade de tomar qualquer decisão inerente ao formato do conteúdo, que será único. Para burlar tudo isso, é possível customizar o elemento que é responsável por toda essa negocição, e para isso, basta implementarmos a interface IContentNegotiator e, internamente, sempre retornarmos o formatador desejado.

public class JsonContentNegotiator : IContentNegotiator
{
    private readonly JsonMediaTypeFormatter formatter;

    public JsonContentNegotiator()
        : this(new JsonMediaTypeFormatter()) { }

    public JsonContentNegotiator(JsonMediaTypeFormatter formatter)
    {
        this.formatter = formatter;
    }

    public ContentNegotiationResult Negotiate(
        Type type, HttpRequestMessage request, IEnumerable<MediaTypeFormatter> formatters)
    {
        return new ContentNegotiationResult(formatter, new MediaTypeHeaderValue("application/json"));
    }
}

Repare que há uma sobrecarga no construtor para permitir ao criador a customização do formatador antes de passar para o negociador. Depois da classe criada, basta acoplá-la à execução substituindo o negociador padrão por este que acabamos de criar, conforme podemos notar no trecho de código a seguir:

public static void Register(HttpConfiguration config)
{
    config.Services.Replace(typeof(IContentNegotiator), new JsonContentNegotiator());
}

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Compressão no ASP.NET Web API

Em certas situações, quando um cliente executa uma operação de um serviço, o resultado pode ser uma grande massa de dados. Essa massa de dados pode ser qualquer coisa, desde os bytes de um arquivo até mesmo objetos que foram extraídos de um banco de dados.

Como todos sabem, o problema disso é a quantidade de informações que irá trafegar na rede, podendo causar uma grande lentidão, caso isso seja uma operação comum. A principal solução que geralmente utilizamos quando queremos diminuir o tráfego, é a compactação das informações. Isso fará com que a quantidade total de dados seja bem menor, aliviando consideravelmente a quantidade de informações que são trafegadas. Obviamente que a compactação tem um overhead quando você compacta ou descompacta, e isso deve ser levado em consideração para decidir se deve ou não optar por ela, mas na maioria das vezes, acaba compensando.

Quando estamos utilizando o ASP.NET Web API para construir e expor recursos, podemos implementar uma funcionalidade que permite a compactação das mensagens que são devolvidas para os clientes. O ASP.NET Web API não possui nativamente um mecanismo que permite a compactação das mensagens produzidas pelo serviço, mas graças ao modelo de estensibilidade que ele fornece, é possível recorrer as classes GZipStream e DeflateStream (do próprio .NET Framework) para gerar esse tipo de conteúdo.

O primeiro passo é criar um MessageHandler, que nos permite interceptar a requisição, e no interior do método SendAsync, chegamos até a mensagem de resposta (HttpResponseMessage) gerado pelo ASP.NET Web API (lembrando que neste momento a ação do controller já foi executada), e depois disso, analisamos o cabeçalho da requisição para se certificar se o cliente suporta ou não este tipo de codificação. Se sim, o cabeçalho AcceptEncoding deve ter como valor uma string com "gzip" ou "deflate", indicando qual dos formatos ele consegue interpretar.

public class CompressionHandler : DelegatingHandler
{
    protected override Task<HttpResponseMessage> SendAsync(HttpRequestMessage request, CancellationToken cancellationToken)
    {
        return base.SendAsync(request, cancellationToken).ContinueWith<HttpResponseMessage>(t =>
        {
            var response = t.Result;

            if (request.Headers.AcceptEncoding != null)
            {
                var encoding = request.Headers.AcceptEncoding.FirstOrDefault();

                if (encoding != null && !string.IsNullOrWhiteSpace(encoding.Value))
                    response.Content = new CompressedHttpContent(t.Result.Content, encoding.Value);
            }

            return response;
        });
    }
}

Uma vez que é possível determinar o suporte por parte do cliente, então criamos e sobrescrevemos o resultado da requisição com a instância da classe CompressedHttpContent, que também herda de HttpContent. É dentro desta classe que existe todo o trabalho para copiar o resultado gerado pelo controller, passar pelo compactador e gerar o mesmo conteúdo mais enxuto. Repare que o construtor recebe o conteúdo da mensagem atual e copia os headers existentes para a classe atual; note também que é incluído o header ContentEncoding com o mesmo tipo indicado pelo cliente, justamente para informar ao cliente que o conteúdo está compactado.

public class CompressedHttpContent : HttpContent
{
    private readonly HttpContent content;
    private readonly string compressorType;

    public CompressedHttpContent(HttpContent content, string compressorType)
    {
        this.content = content;
        this.compressorType = compressorType;

        ConfigHeaders();
    }

    private void ConfigHeaders()
    {
        foreach (var item in this.content.Headers)
            this.Headers.TryAddWithoutValidation(item.Key, item.Value);

        this.Headers.ContentEncoding.Add(this.compressorType);
    }

    protected override Task SerializeToStreamAsync(Stream stream, TransportContext context)
    {
        var compressorStream = CreateCompressorStream(stream);

        return this.content.CopyToAsync(compressorStream).ContinueWith(t => compressorStream.Dispose());
    }

    private Stream CreateCompressorStream(Stream output)
    {
        return 
            this.compressorType == "gzip" ?
            (Stream)new GZipStream(output, CompressionMode.Compress, true) : 
            new DeflateStream(output, CompressionMode.Compress, true);
    }

    protected override bool TryComputeLength(out long length)
    {
        length = -1;
        return false;
    }
}

O método SerializeToStreamAsync é invocado pelo próprio runtime, que passará o stream de saída e o envolveremos no stream de compactação, para que ao copiar o conteúdo atual para o stream de saída, ele passe pelo algoritmo que efetivamente realiza a compactação. Aqui seria interessante melhorar o código, para que seja possível acoplar novas implementações de novos compactadores. Para isso poderíamos criar uma abstração (IHttpCompressor) e implementá-lo para cada um dos compactadores que queremos que sejam suportados pela API.

Este código por si só não funciona. É necessário incluir o message handler na coleção exposta pelo ASP.NET Web API, e para isso, recorreremos as configurações da API, conforme é mostrado no código abaixo:

config.MessageHandlers.Add(new CompressionHandler());

Para mensurar o ganho gerado por este código, ao acessar um método que até então retornava um resultado de 562 Bytes de tamanho, passa a devolver o mesmo conteúdo com apenas 28 Bytes.

GET http://127.0.0.1:9393/api/Teste HTTP/1.1
Host: 127.0.0.1:9393
Accept-Encoding: gzip, deflate
Connection: Keep-Alive

HTTP/1.1 200 OK
Content-Length: 28
Content-Type: application/json; charset=utf-8
Content-Encoding: gzip
Date: Thu, 19 Jun 2014 19:08:08 GMT

RESULTADO COMPACTADO, OMITIDO POR QUESÕES DE ESPAÇO

Vale lembrar que o cliente que consome este serviço precisa saber lidar com este tipo de resultado. Caso o consumo do serviço esteja sendo feito através do próprio ASP.NET Web API (HttpClient), então ele já possui o suporte interno para descompactar o resultado, sem que seja necessário qualquer customização. Ao criar o HttpClient, podemos recorrer à um segundo construtor, que recebe a instância da classe HttpClientHandler, que por sua vez, expõe uma propriedade chamada AutomaticDecompression, que também é utilizada para indicar ao serviço que possui suporte para descompactação (Accept-Encoding) daquele formato.

using (var client = new HttpClient(new HttpClientHandler()
{
    AutomaticDecompression = DecompressionMethods.GZip | DecompressionMethods.Deflate
}))
{
    //...
}

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Versionamento de APIs

Sempre que precisamos desenvolver um serviço para que ele seja consumido (interna ou externamente), a maior dificildade é sempre decidir o que e como expor. A tecnologia em pouco tempo é possível que se tenha conhecimento suficiente para extrair o seu potencial, mas o maior desafio é saber o que expor, e isso muitas vezes está diretamente ligado ao conhecimento que se tem do negócio.

E como se não fosse suficiente, os problemas não param por aí. Depois que o serviço (ou API) esteja no ar, o desafio é outro, seja, a manutenção do mesmo, no que diz respeito a segurança, performance e evolução. A partir do momento em que a API está sendo consumida por, no mínimo, um cliente, uma preocupação passa a ser necessária ao fazer qualquer alteração em sua interface pública, pois dependendo do que é alterado, podemos deixar alguns clientes inoperantes, problema que não tínhamos quando colocamos pela primeira vez a API no ar.

O versionamento da API é importante para caracterizar a evolução da mesma, mas é útil também para que o cliente saiba o que e como está consumindo, e quando uma nova versão entrar no ar, é desejável que se mantenha compatibilidade com os clientes que já fazem uso das versões anteriores, e os novos clientes, já podem usufruir da nova versão sem qualquer restrição.

Quando falamos de API REST, podemos fazer uso de uma das três opções abaixo para identificar a versão, a saber:

  • Headers: inclusão de uma chave no cabeçalho da mensagem.
  • URI: embutir como parte da URI a versão: http://localhost/Documentos/v2/Listar
  • QueryStrings: sufixar a URI com uma informação extra, exemplo: http://localhost/Documentos/Listar?v=2

A primeira opção, que é a utilização da coleção de headers, acaba sendo uma opção bastante interessante, já que não altera a URI e permite manter separado qualquer detalhe de versionamento; já a segunda opção, é bem mais problemática, pois se o cliente salvar localmente o endereço e mais tarde quiser acessá-lo novamente, o servidor ainda terá que responder à esta solicitação, ou seja, sabe-se lá por quanto tempo ainda será necessário manter os dois endereços e, consequentemente, as duas APIs rodando. E por fim, a terceira opção, apesar de menos elegante que a primeira, permite facilmente expressar qual versão da API deseja acessar, sem a manipulação de headers (que pode complicar para alguns clientes) e sem agregar à URI alguma informação que possa prejudicar futuramente.

O ASP.NET Web API permite que você customize a seleção do controller através de um ponto de estensibilidade, sem misturar infraestrutura com regra de negócio. Para isso, podemos recorrer à requisição extraindo as informações (headers, querystrings, etc.) que são necessárias para tomar a decisão de qual controller acessar. Para nosso exemplo, suponhamos que temos um controller que retorna documentos (versão 1.0) e mais tarde, criamos uma nova versão que retorna os mesmos documentos, só que agora incluindo a assinatura de quem o assinou (versão 2.0). A imagem abaixo ilustra os tipos que foram utilizados.

Para que seja possível influenciar na escolha do controller, o primeiro passo para é implementar a interface IHttpControllerSelector, e dentro desta classe escrever a regra necessária para tomar esta decisão. No exemplo abaixo tentamos extrair o header com o nome "Versao"; se encontrado a versão 1.0 ou se nada for encontrado, então retornamos o controller DocumentosController (que é a versão 1.0). Se a versão solicitada pelo cliente for a 2.0, então retornamos a classe DocumentosAssinadosController.

public class SeletorDeControllerDeDocumento : IHttpControllerSelector
{
    private readonly Dictionary<string, HttpControllerDescriptor> controllersConhecidos;
    private const string HeaderDeVersao = "Versao";
    private const string VersaoPadrao = "1.0";

    public SeletorDeControllerDeDocumento(HttpConfiguration config)
    {
        this.controllersConhecidos = new Dictionary<string, HttpControllerDescriptor>()
        {
            { "1.0", new HttpControllerDescriptor(config, "DocumentosController", 
                typeof(DocumentosController)) },
            { "2.0", new HttpControllerDescriptor(config, "DocumentosAssinadosController", 
                typeof(DocumentosAssinadosController)) }
        };
    }

    public IDictionary<string, HttpControllerDescriptor> GetControllerMapping()
    {
        return this.controllersConhecidos;
    }

    public HttpControllerDescriptor SelectController(HttpRequestMessage request)
    {
        IEnumerable<string> valores = null;

        if (request.Headers.TryGetValues(HeaderDeVersao, out valores))
            foreach (var item in valores)
                if (controllersConhecidos.ContainsKey(item))
                    return controllersConhecidos[item];

        return controllersConhecidos[VersaoPadrao];
    }
}

Só que esta classe por si só não funciona, ou seja, precisamos acoplá-la à execução, substituindo a implementação padrão que vem com o ASP.NET Web API. Para isso, basta ir até o arquivo Global.asax e fazer o seguinte ajuste:

config.Services.Replace(typeof(IHttpControllerSelector), 
    new SeletorDeControllerDeDocumento(config));

Depois da implementação e da configuração da API, basta executarmos e através de algum cliente (vamos utilizar o Fiddler para os testes), iremos notar a diferença na requisição e, principalmente, na resposta. Como vamos notar, competirá ao cliente expressar qual a versão que ele deseja, e se omitir (pois isso deve ser a configuração padrão dos clientes iniciais), então a versão 1.0 será retornada.

[ Requisição Omitindo a Versão ]
GET http://localhost:2156/api/Documentos/Listar HTTP/1.1
User-Agent: Fiddler
Host: localhost:2156

[ Resposta na Versão 1.0 ]
HTTP/1.1 200 OK
Content-Type: application/json; charset=utf-8
Content-Length: 247

[{"Descricao":"Documento1","DataDaAssinatura":"2014-04-23"},{"Descricao":"Documento2","DataDaAssinatura":"2014-04-25"},{"Descricao":"Documento3","DataDaAssinatura":"2014-04-26"}]

[ Requisição na Versão 2.0 ]
GET http://localhost:2156/api/Documentos/Listar HTTP/1.1
User-Agent: Fiddler
Host: localhost:2156
Versao: 2.0

[ Resposta na Versão 2.0 ]
HTTP/1.1 200 OK
Content-Type: application/json; charset=utf-8
Content-Length: 307

[{"Assinatura":"AQID","Descricao":"Documento1","DataDaAssinatura":"2014-04-23"},{"Assinatura":"BAUG","Descricao":"Documento2","DataDaAssinatura":"2014-04-25"},{"Assinatura":"BwgJ","Descricao":"Documento3","DataDaAssinatura":"2014-04-26"}]

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Introdução ao ASP.NET Web API - Segunda Edição

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Publicamente quero agradecer imensamente ao Elemar Junior (que dispensa apresentações), por prontamente atender ao meu pedido para escrever o prefácio deste livro. Fiquei extremamente honrado.

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