Usando LINQ To SQL com WCF

by Israel Aece 2. February 2010 21:16

Para aqueles que trabalham com LINQ To SQL e querem expor as entidades geradas pela ferramenta via WCF, terá que tomar alguns cuidados. Quando essas entidades não mantém um relacionamento, algo que é bem díficil, você consegue retorná-las a partir das operações que o serviço irá disponibilizar.

O problema começa a aparecer quando você deseja enviar para os clientes, entidades que possuem relacionamentos com outras entidades. Um exemplo clássico e que ilustra bem o cenário, é quando temos categorias e produtos, onde cada produto deverá pertencer à somente uma única categoria. Neste caso, temos uma relação direta entre elas. Mas o ponto que torna isso difícil é que o LINQ To SQL cria uma relação bidirecional entra elas. Isso quer dizer que a entidade Categoria terá uma propriedade chamada Produtos, que como o próprio nome diz, retorna a coleção dos produtos daquela categoria; além disso, a classe Produto expõe uma propriedade chamada Categoria, que retorna a instância de uma categoria em qual o produto está contido.

Quando falamos em orientação à objetos, isso é perfeitamente válido e comum. O problema ocorre quando você tenta serializar essa estrutura a partir do WCF. Como eu comentei neste outro post, o WCF tem um comportamento diferente quando há referências circulares, e não conseguirá fazer a serialização porque ele ficará em uma espécie de loop, pois com há referência bidirecional, ao serializar uma categoria, ela serializa os respectivos produtos, e para cada produto a sua respectiva categoria, e para esta categoria os seus produtos, e por aí vai. O serviço roda sem maiores problemas, mas você terá uma exceção quando quando o cliente tentar acessá-lo.

Analisando a imagem abaixo, podemos visualizar a estrutura das classes que compõem o exemplo, e logo ao lado, você pode reparar nas propriedades do arquivo (superfície) DBML, verá que existe uma propriedade chamada Serialization, que pode receber apenas dois valores: None e Unidirectional. O primeiro deles permite que as propriedades das entidades sejam serializadas de acordo com as regras impostas pelo serializador padrão do WCF, que graças a possibilidade de serializar qualquer propriedade, mesmo que elas não estejam decoradas com os atributos DataContractAttribute e DataMemberAttribute (POCO). A segunda opção, Unidirectional, faz com que ele somente consiga serializar o relacionamento em uma única direção para evitar as referências circulares. No nosso caso, teremos a entidade Categoria com a propriedade Produtos, mas a classe Produto não terá uma propriedade que define a sua categoria.

Alterando a opção de serialização para Unidirectional, a forma que você efetua a consulta também terá que mudar. Isso fará com que o LINQ To SQL não consiga trazer os dados (produtos) relacionados aquela categoria, algo que é transparente quando estamos utilizando o LINQ To SQL diretamente. Para conseguir fazer com que os dados relacionados também sejam carregados, temos que recorrer a classe DataLoadOptions, como é mostrado abaixo:

public Categoria[] RecuperarCategorias()
{
    using (DBContextDataContext ctx = new DBContextDataContext())
    {
        DataLoadOptions opts = new DataLoadOptions();
        opts.LoadWith<Categoria>(c => c.Produtos);
        ctx.LoadOptions = opts;

        return (fromin ctx.Categorias select c).ToArray();
    }
}

Mas como disse acima, isso funcionará mas você perderá a navegação bidirecional. Felizmente, podemos recorrer à propriedade boleana IsReference, que é exposta pelo atributo DataContractAttribute, definindo isso na classe Categoria. Isso permitirá a criação da navegação bidirecional, mas há um trabalho manual a ser feito para que isso funcione. Quando você muda a propriedade Serialization para None, nenhuma das propriedades é decorada com o atributo DataContractAttribute/DataMemberAttribute; já se definir essa propriedade para Unidirectional, as propriedades que são problemáticas, não estarão decoradas com o atributo DataMemberAttribute.

Sendo assim, o exemplo final fica como é mostrado abaixo, conseguindo ter no cliente, a navegação bidirecional. Obviamente que alguns membros foram omitidos por questões de espaço.

[Table(Name = "dbo.Categoria")]
[DataContract(IsReference = true)]
public partial class Categoria
{
    [DataMember]
    [Column(...)]
    public int CategoriaId

    [DataMember]
    [Column(...)]
    public string Nome

    [DataMember]
    [Association(...)]
    public EntitySet<Produto> Produtos
}

[Table(Name = "dbo.Produto")]
public partial class Produto
{
    [Column(...)]
    public int ProdutoId

    [Column(...)]
    public int CategoriaId

    [Column(...)]
    public string Nome

    [Association(...)]
    public Categoria Categoria
}

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Data | WCF

DataBinding em WPF

by Israel Aece 22. January 2010 22:43

Já ouvimos falar muito sobre o termo DataBinding. Como sabemos, trata-se de um mecanismo para associar a informação de uma determinada origem à um determinado destino, criando uma dependência unidirecional ou bidirecional. Muitas vezes este termo está associado à alguma fonte de dados, que desejamos exibir suas respectivas informações na tela de uma aplicação qualquer.

Cada tecnologia implementa isso de uma forma diferente, com seus benefícios e possíveis limitações. O ASP.NET traz essa funcionalidade, onde você pode facilmente ligar uma fonte de dados, mas tem algumas limitações por conta de ser HTTP, que não mantém estado. Já o Windows Forms, fornece uma forma de databinding muito mais rico em termos de funcionalidades. A finalidade deste artigo é apresentar o databinding no WPF, exibindo suas funcionalidades, que facilitarão a forma com que lidamos com manipulações de UI.

A Microsoft incorporou no WPF uma forma muito mais evoluída para efetuar databinding, não se limitando apenas a vincular uma fonte de dados à controles, mas também permitindo que qualquer objeto preencha outro, incluindo controles. Isso quer dizer que poderemos definir o valor de uma propriedade de um controle com o valor de uma outra propriedade e de um outro controle. Tudo isso eliminando grande parte do código imperativo requerido pelo Windows Forms, pois a partir de agora, poderemos recorrer a código declarativo (XAML) para especificar essas "amarrações".

Grande parte da responsabilidade para fazer tudo isso funcionar, é a classe Binding, que está debaixo do namespace System.Windows.Data. Ela é responsável por manter o "canal de comunicação" entre a origem e o destino, e além disso, expõe uma série de propriedades que nos permite customizar o comportamento dessa comunicação. Entre as principais propriedades, temos:

  • ElementName: define o nome do elemento que servirá como fonte. Utilize esta propriedade quando desejar preencher uma outra propriedade com o valor de um controle do WPF.
  • Mode: determina a direção das informações.
  • NotifyOnSourceUpdated: valor boleano indicando se o evento SourceUpdated é disparado quando alguma atualização na fonte das informações ocorrer.
  • NotifyOnTargetUpdated: valor boleano indicando se o evento SourceUpdated é disparado quando alguma atualização no destino das informações ocorrer.
  • Path: espefica o nome da propriedade que será exibida.
  • RelativeSource: especifica uma fonte de forma relativa à posição do objeto atual.
  • Source: define o nome do objeto que servirá como fonte. Utilize esta propriedade quando desejar preencher com uma instância de um objeto.
  • XPath: a mesma finalidade da propriedade Path, mas define uma expressão XPath quando a fonte de informações for um arquivo Xml.

Note que nas propriedades acima, nós não temos uma propriedade que especifica qual propriedade no destino será carregada. Isso se deve, porque você aplicará a sintaxe de binding diretamente dentro da propriedade que você quer preencher. O exemplo abaixo mostra como podemos proceder para preencher um conteúdo de um controle Label com o texto de um Button:

<Button Name="button1" Content="Texto do Botão" />
<Label Name="label1" Content="{Binding ElementName=button1, Path=Content}" />

Alternativamente, você pode achar essa sintaxe um pouco ilegível, principalmente quando você tiver situações mais complexas. Se desejar, você pode recorrer à uma segunda forma de configurar o databinding, de forma hierárquica, onde você irá aninhar as configurações como um Xml tradicional, através de sub-elementos. O código abaixo ilustra esta segunda técnica:

<Button Name="button1" Content="Texto do Botão" />
<Label Name="label1">
    <Label.Content>
        <Binding ElementName="button1" Path="Content" />
    </Label.Content>
</Label>

Quando o modelo declarativa não é uma solução, pois você precisa dinamicamente determinar os databindings, você pode ainda utilizar o código C#/VB.NET para configurá-los. Tudo o que precisamos fazer é instanciar a classe Binding que falamos acima, e configurar as propriedades necessárias para que isso funcione, e que neste exemplo simples serão ElementName e Path. ElementName vai receber uma string com o nome do controle que servirá como origem, enquanto a propriedade Path, receberá a instância da classe PropertyPath, que em seu construtor você deverá especificar o nome da propriedade no objeto de origem, que quer que seja enviado para o destino.

Binding b = new Binding();
b.ElementName = "button1";
b.Path = new PropertyPath("Content");

this.label1.SetBinding(Label.ContentProperty, b);

Depois da instância da classe Binding configurada, utilizamos o método SetBinding do controle de destino, que no caso do exemplo é o Label. Além do Binding, esse método recebe a dependency property que receberá o valor da origem.

Carregando um Objeto

Acima vimos como podemos utilizar o databinding de uma forma diferente da qual estamos acostumado, que é através de controles de UI. Mas, o cenário mais comum é quando precisamos preencher um, ou vários controles de UI, com propriedades de um objeto. Eventualmente você tem um objeto que foi construído pela aplicação, e você precisa exibí-lo no formuário, distribuindo suas propriedades pelos controles do mesmo. O databinding também ajuda nisso, onde você pode especificar o tipo da classe, e o próprio WPF o instancia e, consequentemente, preenche os controles interessados, e tudo isso sendo feito declarativamente.

Ao invés de utilizar a propriedade ElementName, vamos agora recorrer à propriedade Source, que deve ser utilizada quando a origem se tratar de um objeto. Para exemplificar, vamos criar a instância da classe dentro dos resources do formulário, que nada mais é que uma coleção que pode armazenar qualquer tipo de objeto. Teremos uma classe simples chamada de Configuracao, contendo uma propriedade chamada Url. A instância desta classe será criada pelo WPF e estará armazenada estaticamente dentro dos recursos locais daquele formulário.

A sintaxe de binding agora consiste em configurar a propriedade Source com a instância criada e nomeada como "config". Continuamos a utilizar a propriedade Path, mas agora ela deverá refletir a propriedade do objeto que será preenchida pelo controle. Como podemos perceber, a propriedade Text do TextBox irá exibir a propriedade Url:

<Window x:Class="Teste.Window2"
    xmlns:local="clr-namespace:Teste">
    <Window.Resources>
        <local:Configuracao x:Key="config" />
    </Window.Resources>
    <Grid name="grid1">
        <TextBox Name="textBox1" Text="{Binding Source={StaticResource config}, Path=Url}" />
    </Grid>
</Window>

Suponhamos que temos vários controles e cada um receberá o valor de uma propriedade diferente. Ao invés de ficar repetindo a instância do objeto (config), podemos utilizar a propriedade DataContext. Essa propriedade nos permite compartilhar a mesma fonte por vários controles, e cada controle que o utilizará, apenas deve indicar qual propriedade ele estará vinculado. Repare que vinculamos o config à propriedade DataContext do controle Grid, e os controles inerentes à eles apenas mencionam qual propriedade cada um deles quer utilizar, sem a necessidade de especificar a propriedade Source.

<Window x:Class="Teste.Window2"
    xmlns:local="clr-namespace:Teste">
    <Window.Resources>
        <local:Configuracao x:Key="config" />
    </Window.Resources>
    <Grid name="grid1" DataContext="{StaticResource config}">
        <TextBox Name="textBox1" Text="{Binding Path=Url}" />
        <TextBox Name="textBox2" Text="{Binding Path=Timeout}"/>
    </Grid>
</Window>

Um detalhe importante aqui, é que se um controle não especificar nenhuma das propriedades de Binding (Source, RelativeSource ou Element), o WPF procura por algum elemento que possui a propriedade DataContext definida na árvore visual do formulário, e encontrando-o, tentará extrair o valor dele. Essa propriedade também pode ser configurada de via código, caso a instância do objeto precise de alguma manipulação adicional antes de ser usada pelo WPF.

this.grid1.DataContext = new Configuracao();

ObjectDataProvider

Como vimos acima, podemos criar a instância do objeto via código. Geralmente recorremos a essa técnica quando precisamos customizar a criação deste objeto. Mas o WPF fornece uma opção, que nos permite customizar de forma declarativa, algumas opções que podem ser utilizadas durante a criação deste objeto.

Entre essas opções, podemos definir alguns parâmetros para um construtor, fazer o databinding através de um método que retorna a instância do objeto, entre outras opções. Suponhamos que a partir de agora o construtor da classe Configuracao recebe como parâmetro uma string com a Url. Se tentar rodar a aplicação sem qualquer alteração, uma exceção será lançada dizendo que a classe não possui nenhum construtor público sem parâmetros. O ObjectDataProvider irá nos ajudar, permitindo especificar o valor deste parâmetro durante a criação:

<Window x:Class="Teste.Window2"
    xmlns:system="clr-namespace:System;assembly=mscorlib"
    xmlns:local="clr-namespace:Teste">
    <Window.Resources>
        <ObjectDataProvider x:Key="config" ObjectType="{x:Type local:Configuracao}">
            <ObjectDataProvider.ConstructorParameters>
                <system:String>http://wwww.israelaece.com</system:String>
            </ObjectDataProvider.ConstructorParameters>
        </ObjectDataProvider>
    </Window.Resources>
    <Grid DataContext="{StaticResource config}">
        <TextBox Name="textBox1" Text="{Binding Path=Url}" />
        <TextBox Name="textBox2" Text="{Binding Path=Timeout}"/>
    </Grid>
</Window>

RelativeSource

Já falamos das formas de databinding ElementName e Source, mas ainda nos resta uma terceira forma: a RelativeSource. Essa forma permite especificar como fonte, um objeto que está relativamente posicionado em relação ao objeto corrente. Essa opção traz três propriedades: Mode, AncestorType e AncestorLevel. A primeira delas recebe uma entre as seguintes opções:

  • FindAncestor: refere-se à um ancestral na árvore visual, que está acima em relação ao controle corrente. Essa opção exige que as propriedades AncestorType e AncestorLevel sejam definidas. A propriedade AncestorType define o tipo de elemento que será procurado, enquanto a propriedade AncestorLevel determina o nível de profundidade da busca.
  • PreviousData: permite referenciar o item anterior de uma coleção que está sendo exibida. Útil em templates.
  • Self: permite referenciar qualquer propriedade do objeto corrente.
  • TemplatedParent: permite referenciar um objeto que está envolvido em uma template.

O exemplo abaixo ilustra o uso do FindAncestor. Note que especificamos através do AncestorType o tipo de controle que desejamos procurar e o AncestorLevel, um número inteiro que determina até quantos níveis acima a busca será realizada. Neste caso, estamos interessados em exibir como o texto do botão o valor da propriedade Name de um Grid, e como estamos definindo o nível 2, ele irá apresentar o valor "g1" no botão.

<Window>
    <Grid Name="g1">
        <Grid Name="g2">
            <Button Name="button1">
                <Button.Content>
                    <Binding Path="Name">
                        <Binding.RelativeSource>
                            <RelativeSource Mode="FindAncestor" AncestorType="Grid" AncestorLevel="2" />
                        </Binding.RelativeSource>
                    </Binding>
                </Button.Content>
            </Button>
        </Grid>
    </Grid>
</Window>

Binding.Mode e Binding.UpdateSourceTrigger

Vimos até agora como podemos efetuar a ligação entre a origem e o destino das informações, mas não se resume a isso. Uma das característica do databinding permite também customizar que possíveis alterações sejam efetuadas para refletí-las tanto na origem quanto no destino. A propriedade Mode da classe Binding nos permite configurar como responder à essas ações, onde devemos escolher uma entre as cinco opções expostas pelo enumerador BindingMode:

  • Default: especifica que o binding utilizará o modo padrão estipulado pelo destino.
  • OneTime: especifica que o binding deve atualizar o destino quando a aplicação inicia ou quando os dados mudam, mas não deve atualizar o alvo quando subsequentes alterações são feitas na origem.
  • OneWay: especifica que o binding atualizará o destino quando a origem mudar. Alterações no destino não terão efeito na origem.
  • OneWayToSource: especifica que o binding atualizará a origem quando o destino mudar. Alterações na origem não terão efeito no destino.
  • TwoWay: especifica que as alterações feitas tanto na origem quanto no destino serão atualizadas automaticamente.

Outra propriedade que também é exposta pela classe Binding é a UpdateSourceTrigger, e que é utilizada quando a propriedade Mode é definida como OneWayToSource ou TwoWay. Essa propriedade determina como e quando a atualização das informações será realizada. Essa propriedade também receberá a informação oriunda de um enumerador, chamado UpdateSourceTrigger, onde as possíveis opções são:

  • Default: indica que a atualização será de acordo com o valor definido pela propriedade de destino, que muitas vezes é PropertyChanged. Propriedades que são editáveis pelo usuário, como a propriedade Text do TextBox, define o padrão como sendo LostFocus.
  • PropertyChanged: a fonte é atualizada quando a propriedade do destino é alterada.
  • LostFocus: a fonte é atualizada quando a propriedade de destino é alterada e quando o objeto perde o foco.
  • Explicit: a atualização da fonte será realizada quando você invocar explicitamente o método UpdateSource da classe Binding.

Coleções

Muitas vezes temos coleções de objetos que desejamos exibir através de controles, como por exemplo, ListBox. Da mesma forma que vimos anteriormente, para coleções, podemos proceder de forma semelhante, mas por se tratar de coleções, temos algumas novas propriedades que são exclusivas para esse cenário.

Controles que são considerados databound, expõe as seguintes propriedades DisplayMemberPath, ItemsSource e ItemTemplate. A primeira delas define o nome da propriedade do objeto que será exibida. Já a segunda representa a coleção que contém os itens que serão definidos com fonte das informações. Finalmente, a propriedade ItemTemplate, como o próprio nome diz, nos permite criar uma forma diferenciada para exibição de cada item da coleção. Dado uma coleção de clientes, onde cada elemento é representado por uma instância da classe Cliente, podemos fazer o seguinte:

<Window x:Class="Teste.Window3"
    xmlns:local="clr-namespace:Teste">
    <Window.Resources>
        <local:ColecaoDeClientes x:Key="cc" />
    </Window.Resources>
    <Grid>
        <ListBox
            Name="listBox1"
            ItemsSource="{Binding Source={StaticResource cc}}"
            DisplayMemberPath="Nome" />
    </Grid>
</Window>

O binding de coleções não está restrito à controles databound. Você pode também vincular uma coleção à um controle do tipo Label, mas como já era de se esperar, apenas o primeiro elemento será exibido. Para que se consiga navegar pelos elementos da coleção, você precisa recorrer à um mecanismo exposto pelo WPF que permite essa navegação.

Quando uma coleção é utilizada através do databinding, o WPF cria nos bastidores um objeto que implementa a interface ICollectionView (namespace System.ComponentModel). Essa interface disponibiliza membros que permite gerenciar a navegação, ordenação e agrupamento das informações. Para extrair este objeto, podemos utilizar o seguinte código:

ColecaoDeClientes cc = new ColecaoDeClientes();
ICollectionView view = CollectionViewSource.GetDefaultView(cc);

Entre os vários membros expostos por essa interface, temos: MoveCurrentToNext, MoveCurrentToPrevious, CurrentItem, etc. Não há o que comentar sobre cada um deles, pois são autoexplicativos. De posse da instância deste navegador, podemos navegar pelos registros de forma simples, sem precisar manualmente armazenar e incrementar ou decrementar índices na medida que o usuário for solicitando a visualização de um novo registro.

Data Templates

Muitas vezes, a visualização padrão fornecida por um controle databound não nos atende, ou por questões visuais ou porque a informação precisa ser customizada/formatada para cada item. Felizmente o WPF separa a funcionalidade do controle da sua visualização, permitindo que se customize completamente a aparência, sem perder ou ter que reescrever a funcionalidade de iteração de elementos.

Como o próprio nome diz, as data templates permite customizar a aparência de um controle, configurando como queremos que ele seja exibido. Tradicionalmente o ListBox exibe cada item um abaixo do outro, sem qualquer customização. Mas e se quisermos que cada elemento seja exibido como um TextBox, e dentro da propriedade Text termos a propriedade Nome vinculada? Abaixo podemos atingir esse objetivo com as data templates, onde customizamos o ListBox e para cada item, exibimos o valor da propriedade Nome dentro da propriedade Text de um TextBox. Repare que neste caso não utilizamos a propriedade DisplayMemberPath do ListBox, pois isso foi delegado ao template, para que ele determine onde e como mostrará o valor. Para quem já trabalhou com ASP.NET, mais precisamente com os controles DataList e Repeater, notará uma grande semelhança aqui.

<Window x:Class="Teste.Window3"
    xmlns:local="clr-namespace:Teste">
    <Window.Resources>
        <local:ColecaoDeClientes x:Key="cc" />
    </Window.Resources>
    <Grid>
        <ListBox Name="listBox1" ItemsSource="{Binding Source={StaticResource cc}}">
            <ListBox.ItemTemplate>
                <DataTemplate>
                    <TextBox Text="{Binding Path=Nome}" />
                </DataTemplate>
            </ListBox.ItemTemplate>
        </ListBox>
    </Grid>
</Window>

ADO.NET

Para preencher os controles do formulário com dados de um banco de dados, você pode recorrer as mesmas técnicas apresentadas aqui. DataSets possuem uma forma tranquila para uso em databinding, mesmo no WPF. Você pode utilizar a propriedade DataContext que vimos acima, definindo para ela a instância do DataSet/DataTable com os dados carregados de um banco de dados qualquer, e a partir daí, utiliza-se a mesma sintaxe para exibição dessas informações no formulário.

Já quando trabalhamos com tecnologias mais recentes, como o LINQ To SQL ou Entity Framework, eles sempre geram coleções, e estas estariam vinculadas aos controles que fossem exibí-las.

Conclusão: Este artigo demonstrou superficialmente todo o poder do databinding do WPF. Vimos como podemos utilizar as mais variadas formas de preencher um controle, não somente com dados de um banco de dados, mas também com informações que são geradas por outros controles ou até mesmo por outros objetos. Esse novo modelo de trabalho facilita bastante a forma como efetuamos a ligação das informações, algo que é um pouco mais complicado em seu principal concorrente, o Windows Forms.

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Data | WPF

Serialização de Datasets

by Israel Aece 5. January 2010 11:02

Vira e mexe alguém entra em contato comigo para discutir sobre - os populares - DataSets. Como todos sabem, ele foi construído para ambientes desconectados, que permite criar uma espécie de "banco de dados em memória", possibilitando ao usuário chegar de manhã na empresa, carregar os dados que ele vai trabalhar durante todo o dia, e depois sair à campo.

Durante o tempo que ele estiver fora, dificilmente terá acesso à rede da empresa, o que obriga a persistir os dados fisicamente, para quando chegar no(s) cliente(s), conseguir restaurar essas informações e manipulá-las como se ele estivesse trabalhando localmente. Dependendo do volume de informações que é carregado neste DataSet, o arquivo final pode ser muito grande, e dependendo do tipo de dispositivo que está utilizando, isso pode ser prejudicial.

Hoje um ex-aluno me enviou um e-mail dizendo que passava por um problema semelhante, onde ele precisava diminuir o tamanho final do arquivo que continha os dados. O problema é que ele estava utilizando a serialização em Xml, que naturalmente é maior do que a serialização binária. Isso se deve-se ao fato de que Xml é o padrão para interoperabilidade, e se fosse trafegá-lo através de Web Services, então obrigatoriamente ele deve ser serializado desta forma.

Do contrário, você pode optar pelo padrão binário. Como neste caso a interoperabilidade não é necessária, já que a finalidade é apenas ter um arquivo menor salvo no disco, podemos adotar esta técnica. Para isso, a partir da versão 2.0 do ADO.NET, a Microsoft disponibilizou uma pequena funcionalidade no DataSet, que modifica-o durante o processo de serialização. Abaixo o exemplo de como podemos proceder:

DataSet ds = new DataSet();
CarregarDados(ds);

ds.RemotingFormat = SerializationFormat.Binary;

using (FileStream fs = File.Create("Dados.bin"))
    new BinaryFormatter().Serialize(fs, ds);

Com este exemplo, um DataSet que em Xml tem 1MB, caiu para 280KB. Você não é obrigado a utilizar a propriedade RemotingFormat, mas se omití-la, verá que o resultado não será tão expressivo como. Quando você define esta propriedade, ele customizará a serialização, transformando o schema e a instância do DataSet atual em um formato mais otimizado e comprimido. Atente-se aqui, pois se o DataSet for muito pequeno (quantidade de linhas/colunas), o resultado pode ser igual ou até mesmo maior que o Xml.

Mais uma vez, se possível reescreva e tente optar por alguma outra alternativa que não sejam os DataSets. Quando você persite-o, independentemente se for Xml ou binário, ele armazena muito mais informações do que o aquilo que realmente você precisa, pois lembre-se: ele é um "banco de dados em memória". Para mais informações sobre serialização, consulte o capítulo 06 deste livro.

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Data

Problemas em arquivos de dados

by Israel Aece 29. October 2009 21:08

Até agora não entendi o motivo, mas repentinamente os arquivos que representam as estruturas de classes do LINQ To SQL e do Entity Framework deixaram de funcionar, ou melhor, o Visual Studio .NET deixou de exibir graficamente a estrutura de classes. O Server Explorer deixou de ser exibido; quando tentava criar um novo arquivo EDMX, o wizard simplesmente desaparecia; e quando tentava criar e/ou carregar um arquivo do LINQ To SQL, a seguinte mensagem era exibida: The operation could not be completed. The custom tool 'MSLinqToSQLGenerator' failed.  Could not retrieve the current project.

Depois de algumas pesquisas, cheguei à um blogue que dizia para excluir as sub-chaves que existiam dentro do seguinte path: HKEY_CURRENT_USER\Software\Microsoft\VisualStudio\9.0\Packages. Basicamente o que tinha ali é uma chave chamada SkipLoading, que estava definida como "1". Antes de excluir, eu simplesmente mudei para "0", e tudo voltou a funcionar.

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Utilizando o EF em Ambiente Parcialmente Confiável

by Israel Aece 16. July 2009 08:51

Estava utilizando a template de projeto Web Site para a criação de um site com uma vida curta, e que se destina a realizar uma tarefa temporária. Como ele deve acessar uma fonte de dados SQL Server para manipular alguns dados, optei por utilizar o Entity Framework como forma de acesso, ao invés do LINQ To SQL ou até mesmo do ADO.NET.

Em pouco tempo essa aplicação ficou pronta e tudo funcionava tranquilamente na máquina de desenvolvimento, até que decidi - erroneamente - configurar o Web.Config localmente. Entre essas configurações, uma delas foi ajustar o nível de segurança que a aplicação deverá rodar, que – teoricamente – não preciso nada mais do que o nível "Medium". Sendo assim, o meu arquivo Web.Config passou a ficar com a seguinte entrada:

<trust level="Medium" />

Ao tentar recompilar a aplicação no Visual Studio .NET, me deparo com o seguinte erro listado na IDE:

Type ‘System.Data.Entity.EntityDesignerBuildProvider’ cannot be instantiated under a partially trusted security policy (AllowPartiallyTrustedCallersAttribute is not present on the target assembly).

Ao abrir o arquivo Web.Config da aplicação, você notará que no elemento connectionStrings possuirá as referências para os arquivos que possuem as descrições das entidades e mapeamentos (CSDL, MSL e SSDL), acrescentado o prefixo "res://", que indica que eles serão adicionados ao assembly como Resource.

Além disso, você verá que existe um builder provider do tipo EntityDesignerBuildProvider, vinculado à aplicação. Essa classe é responsável por extrair as informações dos arquivos mencionados acima, e modificar os assemblies que estão sendo gerados, embutindo-as como Resources. Esse processo não pode ser executado em ambiente parcialmente confiável, já que a permissão necessária não será concedida à aplicação. Veja que a mensagem de erro informa que o Assembly onde está declarado este builder provider, não pode ser chamado por aplicações parcialmente confiáveis, pois a ausência do atributo AllowPartiallyTrustedCallersAttribute evita isso.

A transformação do arquivo EDMX (CSDL, MSL e SSDL) ocorre somente na primeira vez que se compila a aplicação (%windir%\Microsoft.NET\Framework\Versao\Temporary ASP.NET Files), e se nesse momento estiver com ela configurada como parcialmente confiável, assim como eu fiz acima, você irá obter o erro em questão. Se você optar por pré-compilar a aplicação em ambiente “FullTrust”, e fazer o deployment em ambiente parcialmente confiável, você não terá este problema. Isso é perfeitamente possível, já que as configurações de uma aplicação (Web.Config) não são compiladas.

Uma outra alternativa é utilizar o conceito de sandboxing, onde você isola o EDMX em uma Class Library, e faz referencia para ela no projeto Web. Como o arquivo EDMX estará embutido na DLL gerada, você não precisa mais das referências aos arquivos CSDL, MSL e SSDL na aplicação Web, e muito menos do build provider EntityDesignerBuildProvider no Web.Config. Neste caso, o ponto negativo é ter que gerenciar dois projetos e Assemblies.

Ainda há uma última alternativa neste caso, onde você extrai os arquivos CSDL, MSL e SSDL a partir do EDMX, e modifica a connectionString para apontar fisicamente para estes arquivos, que devem estar na mesma aplicação (talvez no diretório bin). Particularmente prefiro a opção da geração do Assembly a parte, que facilita a reutilização por várias aplicações e não corremos o risco de alguém, acidentalmente, excluir estes arquivos que são necessários para o Entity Framework trabalhar.

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ASP.NET | Data | Security

Uma alternativa aos cursores

by Israel Aece 24. June 2009 12:39

Uma funcionalidade que existe no SQL Server é a capacidade de iterar pelos resultados de uma consulta através de cursores. Não sou especialista em SQL Server, mas sei que a sua utilização degrada consideravelmente a performance. Talvez se utilizá-lo em uma quantidade pequena de informações, ele pode executar bem, mas não sei ao o impacto que isso causa, devido aos recursos do sistema que ele utiliza para fazer funcionar.

Como havia a necessidade de melhorar o resultado de um relatório extremamente complexo, e as alternativas em T-SQL já estavam esgotadas, a solução foi recriar a Stored Procedure utilizando o .NET. Sustituimos os cursores por SqlDataReaders, e a diferença foi bastante significativa. E ainda nem precisei abrir mão da segurança, já que o Assembly com a Stored Procedure gerenciada, foi catalogado com o nível de segurança definido como Safe.

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Data

Queries compiladas

by Israel Aece 21. May 2009 16:59

Em várias aplicações é muito comum você ter que executar uma determinada query diversas vezes. Essas queries são utilizadas por diversos pontos do sistema e por diversos usuários. Quando estamos utilizando o LINQ To SQL ou o Entity Framework, a cada query que fazemos em C#/VB.NET, há uma série de procedimentos internos que são realizados para transformar/traduzir a query em T-SQL (ASTs).

Para evitar que esses procedimentos aconteçam a todo o momento, podemos recorrer a uma classe chamada CompiledQuery. Basicamente, a finalidade desta classe é otimizar a execução, que apenas efetua todos os procedimentos uma única vez, e faz o caching do “plano de execução” (em termos de entidades). E para fazer tudo isso funcionar, basta utilizar o método Compile, que esta classe disponibiliza. Esse método retorna um delegate do tipo Func<,,>, representando a query compilada, que por sua vez, especificará os tipos dos parâmetros necessários para ela, tais como, a fonte de dados (DataContext ou ObjectContext), os parâmetros de entrada e o resultado.

Vale lembrar que essa classe não é comum para ambas as tecnologias, ou seja, há uma versão dela para o Linq To SQL e outra para o Entity Framework, contidas nos namespaces System.Data.Linq e System.Data.Objects, respectivamente. O exemplo abaixo ilustra uma classe chamada DBQueries, que possui um membro estático chamado AreasDeUmaEmpresa, que representa uma query frequentemente utilizada em um determinada aplicação, e que faz uso do Linq To SQL como acesso a dados:

using System.Linq;
using System.Data.Linq;

internal static class DBQueries
{
    public static Func<DBContext, int, IEnumerable<Area>> AreasDeUmaEmpresa;

    static DBQueries()
    {
        AreasDeUmaEmpresa =
            CompiledQuery.Compile<DBContext, int, IEnumerable<Area>>(
                (db, empresaId) => from a in db.Areas where a.EmpresaID == empresaId select a);
    }
}

Abaixo está a mesma query, mas com uma ligeira modificação (não muito vísivel) para que funcione com o Entity Framework:

using System.Linq;
using System.Data.Objects;

internal static class DBQueries
{
    public static Func<DBEntities, int, IEnumerable<Area>> AreasDeUmaEmpresa;

    static DBQueries()
    {
        AreasDeUmaEmpresa =
            CompiledQuery.Compile<DBEntities, int, IEnumerable<Area>>(
                (db, empresaId) => from a in db.Areas where a.EmpresaID == empresaId select a);
    }
}

Como já sabemos, apesar de terem o mesmo nome, as classes CompiledQuery são tipos diferentes. O método Compile de cada uma delas possui uma constraint para o primeiro tipo genérico (TArg0), que identifica a fonte de dados, ou melhor, o contexto. No caso do LINQ To SQL, ele nos obrigará a definir esse primeiro parâmetro com um tipo que herde direta ou indiretamente da classe DataContext, enquanto a classe CompiledQuery utilizada pelo Entity Framework, determina que este mesmo parâmetro deve ser uma classe do tipo ObjectContext.

Em ambos os casos, armazenamos o resultado gerado pelo método Compile das respectivas classes CompiledQuery, em campos estáticos. Esse campo foi inicializado no construtor (também estático), mas talvez você possa fazer isso sob demanda. A idéia é criar um membro estático para armazenar cada query compilada, mantendo o resultado durante a execução da aplicação, reutilizando-a quando necessário.

Abaixo consta um exemplo de utilização da query compilada com LINQ To SQL. O Entity Framework seguirá a mesma idéia, apenas criando o contexto correspondente.

using (DBContext db = new DBContext())
    foreach (var item in DBQueries.AreasDeUmaEmpresa(db, 12)) { }

Queries compiladas tem uma performance consideravelmente melhor em relação as queries não compiladas, e usá-las poderá trazer bons ganhos de performance, podendo inclusive, utilizá-la em conjunto com o ConnectedDataContext. Mas também há um ponto negativo: você não conseguirá, de forma simples, projetar possíveis tipos anônimos que possam ser gerados através do select. Como tipos anônimos não podem ser propagados entre chamadas de métodos, então a única opção que nos resta é a criação de uma classe para armazenar e servir como wrapper para esse resultado.

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Serviços CRUD

by Israel Aece 4. May 2009 15:09

Muitas pessoas utilizam ou já utilizaram o WCF (ou até mesmo os antigos ASP.NET Web Services (ASMX)), para servir como um wrapper de uma base de dados. Basicamente era criado um serviço para cada entidade desta base, onde cada um deles apenas define em sua interface as operações de CRUD, que nada mais são do que as operações básicas com uma determinada tabela relacional.

Se você ainda precisa criar algum tipo que serviço que exponha essas funcionalidades, então acredito que seria uma boa alternativa considerar o uso do ADO.NET Data Services. Este framework é construído em cima do próprio WCF, fornecendo a possibilidade de efetuar as operações CRUD em cima de contexto de dados do Entity Framework ou qualquer outra fonte de dados que implemente a interface IQueryable. Todas as funcionalidades são baseadas no padrão REST, que utiliza URIs predefinidas em conjunto com os verbos HTTP, para executar cada uma dessas operações. Já a serialização do resultado pode ser emitida em ATOM (Xml) ou até mesmo JSON, permitindo assim, que qualquer cliente HTTP (como um navegador) consuma o serviço.

Um detalhe importante é que a Microsoft incluiu no .NET Client Library, Silverlight e no AJAX tudo o que é necessário para efetuar a comunicação com serviços baseados no ADO.NET Data Services.

É importante dizer que o ADO.NET Data Services não é ideal para todos os cenários. Há muitas ocasiões onde a customização pode ser muito grande, e utilizando-o pode tornar o processo muito mais trabalhoso do que produtivo e, sendo assim, será mais viável utilizar o WCF, podendo inclusive, expor as funcionalidades do serviço utilizando o padrão REST, se assim desejar. Agora, se tudo o que precisa são as simples operações de CRUD, então criar serviços baseados no ADO.NET Data Services será uma opção boa e bastante produtiva.

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CSD | Data | WCF

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